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La La Land – Melodia de Amor (2016)

Vencedor de sete Golden Globes, e de oito Critic’s Choice Awards, incluindo Melhor Realizador e Melhor Filme, “La La Land” é já um dos favoritos dos críticos para a cerimónia dos Óscares deste ano, onde acabou de ser nomeado para 14 prémios, empatando com Titanic (1997), no número (recorde) de nomeações e promete ganhar em muitas dessas categorias.

Quem viu Whiplash (2013) sabe perfeitamente o que Damien Chazelle consegue fazer quando o colocam atrás da câmara. e La La Land não é excepção.

A história passa-se em 4 capítulos ou estações (Inverno, Primavera, Verão, Outono) e traz-nos duas personagens diferentes em diversos aspetos, que se vão encontrando aleatoriamente ao longo do filme.

Mia (interpretada por Emma Stone) e Sebastian (interpretado por Ryan Gosling) são os típicos sonhadores americanos que desejam alcançar o sucesso nas suas profissões. Ela, uma aspirante a atriz, que entre inúmeros castings, trabalha nos estúdios de Hollywood a servir café a grandes estrelas; e ele um pianista de Jazz, que por falta de dinheiro se vê obrigado a abdicar do seu clube, tocando em bares nas épocas festivas, para conseguir juntar dinheiro para o comprar de volta.  

Ryan Gosling e Emma Stone são os protagonistas desta história de amor

É de realçar a química que se sente do início ao fim entre Stone e Gosling, o que torna o filme mais animado. Emma já provou ser uma das melhores atrizes da sua época e agora, juntamente com Ryan Gosling, tem uma grande hipótese de ganhar o seu primeiro Óscar.  

Para além de Ryan e Emma, o elenco integra ainda J.K. Simmons (vencedor do Óscar de Melhor Ator Secundário por “Whiplash”), John Legend e Finn Wittrock.

O filme começa como tudo começa em Los Angeles: na auto-estrada, e é nesse número de abertura, que Justin Hurwitz, Marius De Vries, Eldad Guetta e Jarred Pellerin (responsáveis pela música e letra) deixam qualquer um colado ao ecrã, numa montanha russa de emoções.

La La Land é capaz de comover qualquer pessoa, envolvendo a audiência na sua história fascinante e glamorosa, que retrata os sonhos daqueles que trabalham severamente para os atingir, assim como frustrações, onde personagens se vêem confrontadas com decisões de vida importantes, que começam a friccionar o tecido frágil do amor que sentem.

Um triunfo em inúmeros níveis, não apenas no argumento e na música, mas também na sua edição, que tal como em Whiplash, é excelente, bem sincronizada, com foco nos pormenores e nos slow motion, que se torna muito atraente visualmente. Nota-se que cada cena foi extremamente bem pensada para causar o maior efeito possível, fornecendo um forte simbolismo.

Além disso, as cores brilhantes, vivas e bizarramente conjugadas misturando-se com os números de música e dança, também eles uma mistura perfeita de musicais de Gene Kelly e coisas mais contemporâneas, como Chicago, tornam este filme uma receita perfeita para um sucesso de bilheteiras.

É certo que nem todas as pessoas gostam de estilo cinematográfico, mas se pensarem em dar uma segunda oportunidade, é garantido que irão sair da sala de cinema a cantarolar as músicas, que para além de estarem bem escritas, ficam na cabeça.

Alguns podem considerar a história demasiado cliché no início, mas é no final que realmente se vê o encanto de La La Land. O final é imprevisível para quem vai ao cinema a pensar que vai ver uma típica história de amor, e comove-se por não ser o final perfeito e que todos desejaríamos.

É no final que se abrem os olhos do público para o significado real da história, que vai para além do tema “Segue os teus sonhos”. Chazelle deixa a ideia de que os sonhos são possíveis, quando se está disposto a lutar por eles, apesar da imprevisibilidade da vida. Nem tudo acaba bem, ou pelo menos não acaba como nós desejaríamos.

Ao combinar tudo isto, estamos perante um dos melhores filmes, senão o melhor deste ano.

 

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