miss sloane

Miss Sloane – Uma Mulher de Armas (2016)

Lobbying is about foresight, about anticipating your opponent’s moves, and devising counter measures. The winner plots one step ahead of the opposition and plays her trump card just after they play theirs. It’s about making sure you surprise them, and they don’t surprise you.

Ok, percebemos, não se combate jogo sujo, com jogo limpo, que é como quem diz, não se acaba com os lobbys sem outros lobbys, sendo que é preciso antecipar sempre a jogada dos nossos adversários. Mas nós demoramos 10 segundos a escrever uma coisa que o filme faz em 132 minutos. Nada contra os filmes longos e com mulheres poderosas, mas puxa, a corroborar o que se veicula na obra, “A Miss Sloane fala demais”.

Como já devem ter percebido, Miss Sloane (para além do trocadilho à Fernando Mendes no título em Português) endereça com pujança o tema do lobby da 2ª Emenda – direito a ter uma arma, sem grande dificuldade. A maior defesa desta emenda? Foram os pais fundadores que a escreveram no séc XVIII.
Para atacar o tema, o realizador John Madden (A Paixão de Shakespeare) junta-se ao estreante Jonathan Perera (que assina o argumento) para tentar criar um filme “Aaron Sorkin style”, capaz de desmontar os bastidores do lobby político-partidário. A juntar à festa temos Elizabeth Sloane (Jessica Chastain), uma Lobbista voraz, e sem escrúpulos que estranhamente decide voltar as costas aos seus patrões para defender uma nova emenda (Heaton-Harris) que obrigue a uma extensa verificação de historial, antes de ser vendida uma arma.

Mas afinal o que a move?

I was hired to win, and I’ve used whatever resource I have.

Desta forma somos levados pela prestação (brilhante, diga-se) de Jessica Chastain, alguém que abdicou da sua vida pessoal para desempenhar a profissão de… Bem, depois de vermos o filme temos dificuldade em dizer qual a profissão dela. Aceitamos sugestões.

A sua falta de vida pessoal é tão gritante, que o próprio filme tem dificuldade em explcar as suas motivações. Aqui o foco é sempre político. Para efeito surpresa, aposta-se em constantes twists e contra-twists, que nos guiam em passo de caracol: “Dois passos em frente, um atrás, dois passos em frente..
Assim, é através deste rumba que somos levados ao tribunal (onde começamos na 1ª cena), numa audição a Sloane, e é precisamente aí que, obviamente, iremos acabar. No meio, há toda a construção do caso.

Esta sofisticação e tentativa de desconstrução do Lobby, falha por nos aquecer durante duas horas, para no final percebermos que o microondas estava no modo “descongelamento” e a comida ainda está fria.

Trabalha-se, trabalha-se, e depois entrega-se algo sensaborão, focado no efeito surpresa, e na ideia que “são todos corruptos”. Algo que funciona bem na audiência, mas contraria a ideia de sofisticação da obra. Essa está toda do lado do monopólio Jessica, que com aquela pose gélida nos convence sempre a ouvi-la falar um pouco mais, sem chegar a ser irritante (mas por pouco).

No final, temos um bom thriller político, que queria ser um ataque ideológico, mas que não tem força para isso. A força está toda do lados das interpretações, e menos no argumento, construído meramente para o efeito surpresa do final. Ainda assim, vale a pena ver, nem que seja pela protagonista, mas não esperem algo muito empolgante.

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