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Série para quem gosta de História de Portugal

Ministério do Tempo

Nº de Episódios: 16

Duração: 60 minutos

Ministério do Tempo é a nova aposta da RTP1 que estreou no passado dia 2 de janeiro.

A nova série da RTP1 viaja por vários séculos da História de Portugal, tentando impedir que o nosso passado histórico mude. A regra é simples: só se pode viajar para o passado, de modo a evitar a sua alteração, e nunca para o futuro, porque o “tempo é o que é, meu caro!”. (E sim, essa é a explicação citada, dada por uma das personagem da série).

Para viajar no tempo não é preciso um carro voador ou uma nave espacial, como por exemplo em séries estrangeiras como Dr. Who, ou nos famosos desenhos animados da Carrinha Mágica, basta simplesmente entrar na porta respetiva ao século/ano a que se pretende ir.

Mas existem dois tipos de portas, as oficiais controladas pelo Ministério e as clandestinas, para as pessoas que queiram alterar a história em proveito próprio. E é aí que reside a problemática.

O elenco é composto por actores portugueses, como António Capelo, que interpreta Salvador Martins, o secretário-geral do Ministério. É ele o responsável, juntamente com Irene Matos Dias (Andreia Diniz) e Ernesto Ochoa (Luís Vicente), por juntar a “equipa maravilha” que irá evitar todas as desgraças que possam acontecer se alguém tentar mudar o passado.

Tiago Silva (Sisley Dias) é um ex- paramédico que, ao ter presenciado algo que não devia, é obrigado a trabalhar para o Ministério. A ele junta-se Amélia Carvalho (Mariana Monteiro), a primeira mulher portuguesa a frequentar a universidade, e Afonso Mendes de Noronha (João Craveiro), cavaleiro do século XVI, que fora dado como morto por roubo e traição ao reino. 

No primeiro episódio, dois espanhóis do século XIV tentam matar Nuno Álvares Pereira, evitando assim que os Portugueses ganhem a batalha de Aljubarrota. Para isso contam com a ajuda da aparente vilã e ex-agente do Ministério, Mafalda Torres (Filomena Cautela).

No segundo episódio (só foram exibidos dois até agora), o objetivo é evitar que o maior poeta português, Luís Vaz de Camões entre no barco errado na armada para a Índia, e que poderá levar à sua morte, antes de escrever a sua obra mais célebre, “Os Lusíadas”. Mas os agentes do tempo, ainda se debatem com outro problema. Na mesma Nau, em que supostamente irá Camões, vai também o filho de Afonso Mendes de Noronha, e como qualquer pai faria, este vai tentar salvá-lo. Mas não poderá isso trazer consequências para a alteração da História de Portugal? (Fica a pergunta no ar)

A premissa da série é boa, no entanto, existem algumas falhas graves. Existem diálogos com pouco conteúdo e sem sentido, assim como explicações fracas, e que não explicam absolutamente nada, tornando-se idiotas. Por exemplo, a mencionada logo no início desta crítica, de que não se pode viajar para o futuro, porque o tempo é o que é.

Se os diálogos e as explicações, carregadas de calão contemporâneo, são más, então a falta de imaginação ainda é pior. Imagine-se só que a maneira através da qual se comunica entre épocas é a mesma do século XXI, basta um telemóvel ou um portátil, a que todos parecem ter acesso. Sim, é verdade, nunca foi tão fácil como agora, falar com o Século XVI, por exemplo, já que em pleno ano de 1553, se utiliza o Skype e também se lêem as notícias online todos os dias ao pequeno-almoço.

Mas nem tudo é excessivamente mau, atenção. Ministério do Tempo, é a série portuguesa ideal para quem gosta de História em geral, e especialmente de Portugal, e também para quem não é adepto de novelas, ou seja, prefere cultura a romances e intrigas.

Para além disso consegue fazer uma boa sátira ao povo português, o que adiciona um humor “inesperado” à narrativa. Citando alguns exemplos: “Ele chega mais depressa ao século XVI, a pé, que você chega a sua casa de metro”, “Não são portugueses? Desenrasquem-se!”, “Esquece, aqui nunca acontece nada antes das 9h. E quem diz nove, diz dez, dez menos um quarto” ou “Que tipo de portugueses seríamos nós se não resolvêssemos as coisas em cima da hora?”

Além disso, há que referir a boa interpretação de algumas personagens que pertencem ao passado e que não sabem por exemplo “O que é um sksype?” (como a própria personagem o pronuncia), ou o que são dinossauros, como é o caso do actor João Craveiro.  

E como esta série, tem de ter algo “português”, “Ministério do Tempo” conta com referências à banda portuguesa de rock, Xutos e Pontapés, seja cantada pela Filomena Cautela (no primeiro episódio) ou citada como se fosse um poema por Sisley Dias.

A série não é perfeita, e está longe de o ser, mas é de louvar a iniciativa da RTP de, mesmo sabendo que o prime time televisivo é dominado por novelas, produzir séries, ainda que sejam adaptações de um formato de sucesso espanhol,

“Ministério do Tempo” irá ser transmitido todas as segundas-feiras na RTP1, às 21 horas. Num total de 16 episódios, os agentes intertemporais vão cruzar-se com algumas das grandes figuras históricas: como os líderes fascistas, autores como Fernando Pessoa, Gil Vicente e Eça de Queiroz, e até o lendário ilusionista Harry Houdini.

Spoiler alert: No próximo episódio Hitler e Salazar entram em cena!

 

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