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Fragmentado (Split, 2016)

Caro M. Night Shyamalan bem-vindo de volta! Sentimos a sua falta. E obrigada por consagrar James McAvoy como o excelente ator que ele provou ser neste filme.

Vamos por partes: este filme é muito mais do que aquilo que podíamos esperar de um realizador que viu a sua carreira pautada por altos e baixos. Sabemos que Shyamalan é capaz de coisas muito boas (nunca nos esqueçamos d’ O Sexto Sentido e Sinais) mas também sabemos que é capaz do oposto (Senhora da Água, alguém?). No entanto, há quem o considere ser um realizador de culto, pelo que (ainda) existem pessoas que vão ao cinema só por ser um filme seu. Consideramo-nos culpados neste aspeto. Fomos com as expectativas baixas para que não houvesse qualquer desilusão. Estamos muito felizes por constatar que esta obra é o raio de uma grande obra!

Numa só frase (é fácil resumir o filme), a história gira à volta de Kevin, e das 23 personalidades (com possibilidade de haver uma 24ª) que habitam o seu corpo, e do seu rapto de três adolescentes. A história tem um bom ritmo, há sempre alguma coisa a acontecer e não dá para nos sentirmos aborrecidos. Com tantas personagens diferentes numa só pessoa, há uma grande dinâmica ao longo do filme para não falar da conjunção de elementos de suspense e thriller psicológico que existem.

O elenco não podia ser melhor: James entrega cada fibra do seu (jeitoso) corpo a todas as personagens. Esquecendo as roupas que, obviamente, ajudam a conferir à personagem a sua respetiva identidade, a parte da construção do ator nas expressões, nos tiques, no modo de falar, é tudo para lá de soberbo. Tudo ali é credível e tudo ali é feito ao pormenor. Também Betty Buckley (Drª. Karen Fletcher, a psiquiatra encarregue do caso de Kevin e especialista no Transtorno Dissociativo de Identidade) dá-nos uma performance inesquecível. Conseguimos ver cada emoção na sua face, nos seus olhos, nos seus lábios. Juntos, esta parceria dá-nos arrepios e esquecemo-nos que estamos perante dois atores e que estamos numa sala de cinema. As três adolescentes acabam por ser elementos secundários, apesar de Anya Taylor-Joy (Casey Cook) conseguir ser bastante intensa nas cenas onde contracena com McAvoy e ter alguma relevância para a história devido ao seu passado (e já agora queremos adotar Izzie Coffey – a versão pequena de Casey – e a toda à sua fofura).

Não nos podemos esquecer que Shyamalan tem sempre alguma referência ao sobrenatural nos seus filmes. De facto, é a sua assinatura. O que nos apraz bastante é o facto do realizador nunca comprometer e/ou dobrar o filme apenas a esse elemento. Assim, no final, apesar de algumas cenas serem impossíveis de acontecer na realidade, as mesmas encontram-se justificadas e enquadradas na obra que estamos a ver. Finalmente, uma nota para a banda sonora que, obviamente, neste tipos de filmes ajuda sempre na construção do momento no qual estamos presentes.

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