lotr

Make Soundtracks Great Again #3 – LOTR: Fellowship of the Ring (2001)

Hoje trago-vos o relato de uma excelente banda sonora de um filme pouco conhecido. Para os mais distraídos, a obra de 2001 realizada por Peter Jackson, com Elijah Wood, Ian McKellen e Viggo Mortensen, baseado na obra de J. R. R. Tolkien de 1954 sobre um anel antigo que foi parar às mãos de Frodo e que tem que ser atirado a um vulcão por um motivo qualquer, é aclamado com umas das melhores trilhas sonoras no mundo cinematográfico.

O Canadense responsável por isto tudo, Howard Shore (também responsável pela sonoridade de Gangs of New York, das obras de Fincher – Seven e The Game -, Philadelphia e conseguiu ainda roubar a banda sonora de Ed Wood – dos poucos filmes de Tim Burton cuja banda sonora não é da autoria de Danny Elfman: um feito!) , já teve livros escritos acerca das suas bandas sonoras, e por isso o objectivo aqui não será rivalizar com os mesmos, mas sim “passear” um pouco pela trilha e transmitir a percepção que fica da mesma.

Muitos afirmam que esta partitura vem definir o post-2000 do mundo da Fantasia (o que não é de todo mentira uma vez que é literalmente impossível pensar numa cena com elfos sem a música de Shore no pano de fundo). Porém, para melhor analisar esta banda sonora é importante compreender o seu background e que inspirações teve. Indubitavelmente, Howard teve alguma conexão com a banda sonora de Basil Poledouri para a série dos anos 80 – Conan. Façam a comparação!

Voltando novamente ao Senhor dos Anéis, é difícil esquecer, desde o início, o seu cativante prólogo onde nos é contada a história de Sauron, Gollum e de como é que o anel acabou no tão pacífico Shire. É um começo muito bonito, misterioso com um coro e percussão épicos.

As expectativas elevam-se imediatamente para o que se segue!

E aquele violino logo aos 00:40??

O Shire… O Shire é um grande sinal de entrada que contém um belíssimo tema – Concerning Hobbits. É tão alegre e uplifting. É acolhedor e de certo que qualquer pessoa que a ouvir irá acabar mais feliz! Ao mesmo tempo adequa-se a um ambiente de aventura. Para exemplificar esta sensação, este verão, durante o meu Interrail, cheguei à montanhosa cidade de Innsbruck na Áustria, sentei-me à beira dos Alpes (que mesmo em Agosto só não congelavam por causa da corrente) e pus me a ouvir Concerning Hobbits, com o Gandalf a murmurar ao lado! Digo, foi inacreditável!

Com estas adições, o Shire parece mesmo um sítio pacato e confortável! Aliás, a banda sonora de Senhor dos Anéis tem dos temas mais confortantes e inspiradores do mundo do cinema. Ficam para ouvirem:

Começando a sair do Shire, com o tema “Very Old Friends”, já se nota algo mais misterioso e mais dark – algo está em movimento, que está a começar a marcar passo. O nicho do Shire dado pelo tema “Flaming Red Hair” está para acabar. Como pedido, o factor de seriedade está a aumentar com “Keep it Secret, Keep it Safe”. Acompanha, mantendo-se no escuro, uma cena muito ocupada, misturando vários motivos. Shore conseguiu criar uma atmosfera.

Passando uma secção do filme à frente, com “Passing of the Elves” – uma canção lírica em élfico – e depois com “Saruman the White”  já nos é possível ouvir o ressoar dos exércitos de Sauron, assim como em “The Nazgul”.

Já na segunda metade do filme, “The Caverns of Isengard” aumentam exponencialmente os níveis de energia e de excitação – a ação está a começar.

É um tema mesmo poderoso, com toda aquela percussão metálica e instrumentos de sopro grandões! Mesmo épico!

Uma das coisas que mais aplaudo na sonora de Senhor dos Anéis é o uso do coro, como podemos ver em “Rivendell” – é quase a imagem de entrar no céu, rodeado de anjos. O mesmo acontece no marco dos 40seg. de “Council of Elrond Assembles’, no tema de Aragorn e Arwen (Aniron, por Enya). É sem dúvidas dos momentos que mais causa “pele de galinha” à plateia!

Ainda sem sair dos coros, um motivo mais escuro para os lembrar é “Moria”, onde são arquitetados de um modo tão eficaz, fazendo da cena um slow escuro e épico. Neste género de momento também tenho uma fraqueza pelo tema “Balin’s Tomb”, que é escuro e planeada, sendo talvez dos melhores temas de ação do filme. Um óptimo exemplo de cordas e sopros a funcionarem numa belíssima sinergia.

‘The Fighting Uruk-Hai, pt’ é o encerramento de um tema de mais de 11 minutos, onde depois do ataque do poderoso Uruk-Hai, nos é apresentado uma série de momentos relaxantes de descompressão. Durante uns momentos parece que nos faz retornar ao Shire. É uma contínua oscilação entre o sombrio e o feliz. O tema acaba com o melancólico pedaço a que se  chama “Departure of Boromir”.

É maravilhoso voltar à Terra Média, de uma maneira mais musical. A música potencia tanto a cena. Esta melhora a textura e impulsiona-nos para a vida real com tanta força que é perturbador, relembrando aquele episódio na Áustria, onde a Terra Média e o Planeta Terra se fundiram por uns minutos. O Senhor dos Anéis tem uma super partitura, um verdadeira clássico moderno e de certeza a melhor banda sonora de fantasia de sempre.

Em jeito de despedida, a quebra da Irmandade…

Mal saírem os bilhetes para ver o Regresso do Rei musicado ao vivo na Gulbenkian, já sabem, não hesitem!

ARTIGOS POPULARES

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com