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Os Olhos da Minha Mãe (The Eyes of My Mother, 2016)

Os olhos da minha mãe é um filme do caraças. Perdoem a linguagem caros leitores mas o entusiasmo perante um BOM filme de terror, por ser tão raro, é mais que justificado.

Logo no primeiro minuto ficamos incomodados. Assim com aquela sensação de que temos algo debaixo da nossa pele a causar-nos uma impressão desconhecida. E isto pode ser porque o filme é a preto e branco ou porque a cinematografia é, desde logo, excelente e diferente daquilo que é habitual na maior parte dos filmes. As cenas são bastante curtas e permitem uma abordagem focada no que é essencial na história sem que haja desvios para outras coisas que não sejam importantes. De facto, o filme é curto e tudo o que nele está contido faz sentido não havendo desperdício de tempo ao espetador.

A obra está dividida em três capítulos, “mother”, “father” e “family” e conta a história de uma menina que se vê sem os seus pais (ambos morrem de formas diferentes) e o consequente processo de crescimento decorrente de ambos os episódios. A história é bastante perturbadora e embora haja algum conteúdo explícito, é um terror que não cai facilmente em sustos momentâneos e consequência de uma qualquer entidade malévola (também porque não os tem). A premissa é bem mais complexa que isso e, na verdade, poderemos sentir alguma compaixão pela personagem principal e pelos seus atos se nos dermos a esse trabalho. Não obstante, não é fácil perceber quando Francisca (Kika Magalhães) está insana ou consciente das suas ações e, provavelmente sendo um elemento chave na narrativa, se calhar nem há uma distinção clara e objetiva desta divisão. A atriz é assustadoramente boa no seu papel ao mesmo tempo que se move com uma graciosidade invejável contribuindo para a peculiaridade da sua personagem.

Portugal tem bastantes referências ao longo do filme, sugestões resultantes da atriz ao realizador. A mãe da personagem principal costumava ser cirurgiã neste belo país, há diálogos tanto em Inglês como em Português e o elemento principal da banda sonora é Amália Rodrigues que, surpreendentemente, encaixa que nem uma luva neste filme.

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