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A Bela e o Monstro (Beauty and the Beast, 2017)

O tão esperado filme da Disney está aí e não desilude. É uma ode ao amor, à imaginação, à felicidade e aos bons tempos de infância onde outrora se viu esta história mas em versão animada. Não vale a pena contextualizá-la porque até o mais infoexcluído sabe o que retrata. Assim sendo, vamos saltar esta parte e vamos diretos ao que realmente interessa.

Neste remake, há uma mistura de personagens reais com animadas (os empregados que foram transformados no relógio, candelabro, numa chávena, bule de chá, entre outros) dando origem a uma combinação deliciosa e mágica. Emma Watson regressa em força ao grande ecrã e logo a carregar uma personagem tão importante às costas. Mas foi uma escolha bem pensada e inteligente pois a atriz evoca uma certa pureza que faz parte do caráter de Bela, o que tornou a fusão bastante fácil e natural. Havia, também, grandes expectativas relativamente à sua possível voz de rouxinol e não desiludiu. O seu colega Dan Stevens está cerca de 99% do filme em versão monstro e não é como se possa tecer grandes comentários acerca dele (exceptuando, claro, aqueles olhos azuis espetaculares). Para os mais curiosos, o CGI transformou aquela carinha gira no que se vê na tela. O resultado foi bem conseguido e não conseguimos imaginar a sua personagem encarnada de outra forma. O resto do elenco também é ótimo com grande destaque para a dupla LeFou (Josh Glad) e Gaston (Luke Evans). Os atores demonstram uma grande química entre ambos o que foi bastante visível na execução das suas personagens. Sobre a cena gay da qual tanto se tem escrito e falado, na verdade, não há nada de chocante. Sim, LeFou é assumidamente gay mas não esperem ver nenhum statement disso. Polémicas à parte, e ao contrário do que se defende, é pelas crianças que a mudança começa e nos tempos que correm, as cenas do filme tornam-se, até, bastante apropriadas. Há também uma notória mudança na escolha de atores pois o elenco é etnicamente muito mais diversificado e multicultural do que se poderia esperar, enriquecendo a universalidade da narrativa e acentuando a mensagem de amor da história.

Os atores foram largamente abençoados por uma boa caracterização e um guarda-roupa imponente e colorido. A par com os cenários, esta combinação é essencial para que a aura que acompanha todo o filme não seja descurada nem por um segundo. A banda sonora é outra maravilha que não falha, mas tal nunca poderia acontecer quando o responsável é Alan Menken. Afinal, já tem mais que provas dadas nos filmes da Disney  – A Pequena Sereia, Aladdin, Pocahontas e outros que tais.

É um filme para chorar. As cenas entre Bela, jovem destemida e candidata a filha do ano, e o seu pai (Kevin Kline) são tocantes. De facto, não nos podemos esquecer que é esta relação que está na base de toda história. No entanto, é também um filme para sorrir, ficando esse papel maioritariamente a cargo de LeFou e da interação entre Cogsworth (Ian McKellen) e Lumière (Ewan McGregor).

Infelizmente há algo que desilude. A cena final entre Gaston, Bela e o Monstro carece de emoção e quando a moça decide confessar os seus sentimentos ao apaixonado, não há aquele aperto de coração que esperávamos sentir. Mas não nos deixamos afetar já que foi o único aspeto negativo que, assim de repente, vem à cabeça.

Mesmo que nunca tenham visto a versão de 1991, o impacto não será diferente e estará muito perto de magia. Numa coisa ninguém pode discordar: os filmes para o público infantil têm uma sensibilidade muito grande e focam-se em características essenciais como a força, caráter, o amor, o bem sobre o mal… Assim, saímos da sala de cinema quase como que expurgados de todas as coisas más que acontecem no dia-a-dia. É uma obra que nos permite acreditar num mundo melhor, mais não seja apenas durante a visualização do mesmo. Sai-se de sorriso aberto, de coração cheio e uma grande vontade de cantarolar e dançar.

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