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A Noite de Mariana Ximenes no FESTin: Quase Memória e Prova de Coragem

Segunda-Feira foi a noite de Mariana Ximenes no FESTin. O Spoon teve a oportunidade de entrevistá-la à tarde e poderão ler a entrevista completa em breve.

A atriz esteve no São Jorge para apresentar dois filmes exibidos no FESTin, ambos com a sua participação e o segundo também com a sua produção: Quase Memória, de Ruy Guerra, e Prova de Coragem, de Roberto Gervitz, ainda sem data de estreia definida em Portugal.

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Quase Memória é a mais recente obra de Ruy Guerra, icónico realizador moçambicano, que adaptou o livro homónimo de Carlos Cony. É uma reflexão sobre o tempo, a memória, a infância, a família e o que deixamos por dizer; o realizador deu uma nova riqueza à história dividindo Carlos, a personagem principal, em dois: um “eu” adulto no auge da vida (Charles Fricks) e um “eu” 30 anos mais velho (Tony Ramos), tendencialmente demente, o que tornou a reflexão num monólogo interno. A ação desenrola-se durante este encontro inesperado de “eus”, visitando as memórias que partilham e a partir das quais se reencontram com a infância e com os pais (João Miguel e Mariana Ximenes), rescrevendo umas partes, recuperando outras, recordando o contexto sociopolítico do Brasil na 2ªGuerra. Esteticamente, o filme é diferente, cativante mas muito sóbrio e rico em pormenores: desde o relógio que nos acompanha ao longo da noite, à neblina que envolve as imagens de memórias mais perdidas e à própria semelhança entre os atores. Tony Ramos, como sempre, está soberbo no seu papel de velho e meio perdido com o que foi a sua própria vida.

“Você não sabe o que será e eu não me interessa o que foi”

Quanto a Prova de Coragem, é talvez uma obra mais abrangente em termos de audiência. É uma história melancólica mas menos contida, menos reflexiva e introspetiva do que Quase Memória.

Adri (Mariana Ximenes) e Hermano (Armando Babaioff) são um casal nos seus 30: ela é artista plástica e ele cirurgião, apaixonados e corajosos. No entanto, Adri sente que a vida precisa de dar uma volta e decide engravidar (com batota); já Hermano está a tentar provar com demasiada força que é corajoso, propondo-se a escalar a Terra do Fogo, uma missão com apenas 3 histórias de sucesso em 500 anos. Prova de coragem ou fuga à responsabilidade? A beleza do filme está em não reduzir as personagens nem as suas acções a boas ou más, certas ou erradas. Há motivos, há defeitos, há histórias escondidas. Talvez não seja uma história daqueles amores que movem montanhas, mas é a história de “amor à sua maneira”.

Aborda clichés como “quem tudo quer tudo perde” de forma muito humana, sem ser redutor nem ter a necessidade de atar tudo com um lacinho bonito, como se a história não acabasse com o fim do filme.

São os dois filmes uma óptima escapadela ao mainstream americano. Quase Memória dá-nos reflexão, Prova de Coragem dá-nos história e lembram-nos os dois que o Cinema é uma Arte.

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