TresspassAgainstUs

Código de Família (Trespass Against Us, 2016)

Realizado por Adam Smith preparem-se para um filme que é todo ele acerca da família. Por mais perturbada que esta possa ser. Felizmente para os espectadores, que poderão pensar que a história gira à volta da vida de crime na qual a família se baseia, esta obra é muito mais do que isso.

Michael Fassebender e Brendan Gleeson são as cabeças de cartaz onde desempenham, respectivamente, o papel de Chad Cutler e Colby Cutler. A viver num aglomerado de caravanas, meio ao abandono e no meio de nenhures, com uma mistura entre galinhas e cães, e um maluco que apareceu do nada, logo se percebe que a história é centrada nesta dupla de pai e filho. A relação de ambos pode ser facilmente caracterizada como passiva-agressiva: Chad não consegue enfrentar o pai, acabando por reprimir muito da sua vontade face ao que este diz/manda, ao mesmo tempo que vai acumulando muito agressividade e frustração para com o mesmo. Mas temos também a geração a seguir, onde se pode analisar a relação de Chad com o seu próprio filho, Tyson (Georgie Smith). Ainda que sob uma forte influência do avô, a Tyson é-lhe proporcionado aquilo que não pôde ter: ir à escola. A contribuir largamente para isto temos a mãe, Kelly Cutler (Lyndsey Marshal), que apesar de não concordar com o tipo de vida levado a cabo na pequena comunidade estabelecida por Colby, está inteiramente focada nos filhos e numa vida melhor e longe dali.

Para lá da profundidade das relações, temos as situações que no-las permitem explorar que vão desde um grande e espalhafatoso assalto, às constantes idas à prisão passando pelo desaparecimento dos filhos de Chad. Mas tudo acaba por se resumir ao mesmo: o casal Cutler tenta dar as melhores condições possíveis aos seus filhos demonstrando uma grande vontade de fazê-lo longe do sítio onde habitam. Infelizmente, Colby interfere demasiado nesse plano. Pelo meio existem grandes confrontos com a polícia e até uma falsa religião baseada na imagem de Jesus mas seguindo os ensinamentos praticados pelo patriarca, acabando por demonstrar o quão imponente e influente é esta personagem para todas as restantes.

Esteticamente, podem contar com um filme muito sóbrio deixando o lado vibrante para a própria ação. Já habituados a ver Michael em papéis de destaque e relevantes, não saímos dececionados do cinema com a sua prestação. Brendan Gleeson é tão cativante na mesma medida em que facilmente o odiamos pelo seu controlo exacerbado na vida dos que vivem consigo. Finalmente, menção honrosa para o pequeno Georgie que tem o ar mais reguila deste mundo e absolutamente enquadrado para o papel que lhe foi dado (e já agora, aquela boca devia ser lavada com muito sabão!). Já agora, se gostam do sotaque irlandês, esta obra é definitivamente para vocês. Na verdade, há um certo encanto em poder deixar que os atores emprestem algumas das suas características às personagens que interpretam pois transmite maior autenticidade e credibilidade.

Sem dúvida que o culminar desta narrativa é o final. Apresentando uma lição de vida passada de pai para filho, é acompanhada de um momento que pode facilmente ser interpretado como uma metáfora de libertação das garras daqueles que prendem a vida de Chad e, consequentemente, Tyson. Sentimos que a verdadeira mensagem por trás da educação de petiz é entregue, não desiludindo quem se deslocou ao cinema para ver este filme.

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