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Collide – A Alta Velocidade (Collide, 2016)

Ai senhores, por onde começar é a questão! É tudo tão mau. Tão irremediável, dolorosa e inegavelmente mau.

Realizado por Eran Creevy e escrito por ele próprio e F. Scott Frazier, que tinha dado também uma perninha a Triple X – O Regresso de Xander Cage (explica MUITA coisa), tudo neste filme é uma grande quantidade de ação a velocidade “demasiado-depressa-para-fazer-sentido”.

Muito basicamente, Collide desperdiça todo um talentoso elenco numa história sem ponta por onde se pegue. Casey Stein (Nicholas Hoult) andava metido no lado ilegal da coisa. Numa rave em plena Alemanha, troca olhares com a barmaid Juliette Marne (Felicity Jones) e muito rapidamente vai falar com ela, muito rapidamente se despede do seu “trabalho”, muito rapidamente saem juntos, muito rapidamente se apaixonam, muito rapidamente vão viver juntos e muito rapidamente se descobre que ela não está em pleno estado de saúde. Para poder salvá-la, Casey volta a contactar o seu antigo patrão, Geran (Ben Kingsley) que lhe oferece uma oportunidade de ganhar 200 mil euros. É claro que isto implica lidar com o patrão de Geran, Hagen Kahl (Anthony Hopkins). E a partir daí caros telespectadores, é uma constante trip de MDMA na nossa cabeça. Primeiro que tudo, a própria música é psicadélica e martela-nos os neurónios para que deixemos de ficar preocupados em obter qualquer sentido do que estamos a ver. Depois, a própria história encarrega-se disso ao arrancar uns constantes “mas que gaita…?” ao longo de toda a ação.

Na verdade, o que se esqueceram de avisar é que isto é uma espécie de Velocidade Furiosa – edição Alemanha. Porque só se vêem carros. Muitos carros, na verdade. Carros bons e caros que são destruídos num virar de olhos. Mas pronto, se pretendem um tour pelo Salão Automóvel de Genebra, deve ser mais ou menos a mesma coisa. Haja orçamento para tanta destruição gratuita, não

Mas mesmo perante um filme de ação, há muitas tentativas (falhadas) de comédia. Na maior parte protagonizadas por Ben Kingsley, o facto do ator ter que precisar deste tipo de filmes para aparecer é para lá de triste. Kingsley é um ator por excelência e não é o tipo de obra no qual a sua presença faça sentido já que é um autêntico desperdício. A sua personagem é ridícula e não o merece: estamos perante um wannabe gansgster com um sotaque esquisito e com uma arma dourada, ao mesmo tempo que se veste com peles e muitos colares ao pescoço. Percebem o género, certo? Como já referido, NADA neste filme faz sentido, a começar pela caracterização desta personagem. Um fatinho ficar-lhe-ia melhor. Assim sendo, só mesmo numa qualquer cena de Ali G.

Nicholas Hoult, em estado gato-máximo-super-apaixonado, parece ser o novo super homem. É de admirar que com tanta espatifadela de carros, porrada, correria, saltos e outras tropelias que tais, tenha saído incólume para lá do exigido das situações em que se via envolvido. E matá-lo? Pffff, impossível! Isto, claro, porque o rapaz foi perseguido até à exaustão e mesmo aí nem uma perninha fracturada. Isso e a bateria do telemóvel que nunca se acabava (modernices!) e a gasolina com a qual só teve que se preocupar uma vez em todo o filme.

De bradar aos céus é mesmo Anthony Hopkins a dar 10 a 0 e a ensinar como a coisa se faz. Ainda assim, provavelmente devia estar a precisar de um extra pois toda a gente sabe o flop que Westworld é (só que não). A única crítica a apontar é o facto do senhor não saber empunhar um arma. Não que sejamos versados na coisa mas pareceu muito pouco… Profissional. Mas percebemos que o que ele sabe fazer de melhor é comer umas quantas pessoinhas de vez em quando.

Relativamente a Felicity Jones, não há muito a dizer pois apesar de tudo acontecer por causa dela, não aparece assim tanto. A sua química com Nicholas Hoult está ao nível da nossa com o dentista. A coisa funciona até deixar de funcionar. Há ali muita pouca emoção entre os dois e sem dúvida sabemos quem é o emocional naquela relação (spoiler alert – não é ela!).

A única coisa positiva que este filme nos apresenta é o facto de reunir, pela primeira vez, Hopkins e Kingsley. O lado negativo é, bom, ter sido nestas condições…

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