mariana ximenes

Entrevista FESTin com Mariana Ximenes

Mariana Ximenes esteve em Portugal e o Spoon encontrou-se com a atriz para uma conversa sobre a carreira, o futuro e os filmes que a trouxeram a Lisboa neste FESTin: Quase Memória e Prova de Coragem.

A eterna Ana Francisca de Chocolate com Pimenta, que já tem 35 anos e quase 20 de carreira, continua com o mesmo ar jovem e a mesma beleza intemporal, mas foram a doçura e a alegria de viver que marcaram o tom da conversa.

Para o ano são 20 anos de carreira. O que sente a olhar para esse tempo?

Que venham mais 20, mais 20, mais 20, mais 20… Com boas oportunidades. E estou louca para vir trabalhar aqui em Portugal.

O que gostaria de fazer cá?

Ué? Cinema!

É um bom estar aqui?

Muito, muito. Nunca quero ir embora daqui, eu a-do-ro Lisboa! Adoro. Adoro o carinho dos portugueses, são sempre muito gentis, muito calorosos. E a comida. E as paisagens. Sou sempre tão bem recebida. Estou muito emocionada e querendo atender todo o mundo porque um acolhimento muito caloroso é um reconhecimento do trabalho.

É muito curioso e prazeroso estar podendo mostrar algumas das minhas facetas. Neste festival, na Prova de Coragem estou a fazer uma mulher contemporânea que vive na luta entre a maternidade e a carreira profissional, a gente fala sobre relacionamentos, escolhas, coragem. E tenho outro filme, do Ruy Guerra, Quase Memória. É muito legal estar no cinema em Lisboa com dois personagens completamente diferentes, projetos alternativos – gosto desse lado mais underground –, estar na televisão com a Tancinha, muito cheia de energia e vitalidade e ainda hoje estrear Super Max, um projeto muito diferente, uma personagem totalmente misteriosa, mais calada. São personagens e linguagens muito diferentes: uma mulher do Sul, contemporânea, uma artista plástica; uma mocinha coquette na década de 30; uma enfermeira totalmente misteriosa, fria, mais quieta e calada; e a Tancinha, que é toda animada, cheia de humor. É muito legal, são tipos muito diferentes e é assim que eu gosto.

Como foi trabalhar com Ruy Guerra, em Quase Memória?

Uma aula diária. Todo o dia aprendia alguma coisa. Ele é um poço de conhecimento, foi por isso que eu também quis fazer o filme, para estar ao pé dele.

O filme é muito curioso, um devaneio, é um projeto bem alternativo. E conviver com o Ruy é um deleite, é um clássico. Em vez de fazer um curso de cinema, sentei do lado dele todo o dia na filmagem.

E como foi fazer a Prova de Coragem?

A Prova de Coragem foi uma aventura. Fiquei dois meses fora de casa, conhecendo outros lugares, em Salto Ventoso (Porto Alegre). Foi uma aventura escalar, fazer aula de escalada; por mim nunca o iria fazer mas pela personagem fiz. Também como ela é artista plástica e fotógrafa, estudei um pouco de fotografia e fui no atelier de uma artista plástica fazer pesquisa. É muito curioso quando os personagens te levam para outros universos, diferentes dos que você conhece. Eu sou muito observadora, então foi uma delícia poder fazer esse personagem em terras gaúchas, poder conhecer outros profissionais e outros lugares.

Identificou-se com a personagem, a Adri?

Não, não me identifiquei, acho que ela fez uma escolha muito extrema. Ela queria tudo e aí ficou com quase nada, a vida dela ficou em risco. Mas para fazer a personagem, não pude julgá-la. Agora, se me pergunta da Mariana, com distanciamento, não faria o que ela fez. Mas… sem julgamento. É uma história, é um ponto de vista. Quando a gente faz um filme, mostra um ponto de vista e isso fomenta, estimula a reflexão. Acho que é isso o legal de contar uma história. Você gostou, você não gostou, são pontos de vista, são diferentes mas eu respeito igual. A Adri teve uma atitude que eu não teria mas para a interpretar, não pude julgá-la.

Além destes 2 dois filmes, Mariana é a Tancinha na novela Sassariacando: Haja Coração (SIC), uma reedição livre da original de 1987-88, em que a personagem foi interpretada por Cláudia Raia.

Esperava que fizesse tanto sucesso?

A gente sempre deseja mas nunca cria tanta expectativa porque nunca sabe o que é que as pessoas vão gostar. É claro que a gente quer que as pessoas gostem…

Fiquei muito feliz porque a Tancinha é um personagem tão solar, tão iluminado. Ela é “bateu-levou”, ou seja, fez alguma coisa para ela, ela responde, é impulsiva, é explosiva e ao mesmo tempo é um coração gigante. Acho nos tempos de hoje quem é bom de coração é uma delícia de personagem porque pode influenciar para o bem as pessoas, porque ela é…boa.

O que é que ela tem de seu?

O gosto pela vida. Ela gosta de viver!

Trouxe um reconhecimento diferente para a sua carreira?

Sem dúvida! Foi direto para o coração das pessoas. Não fazia novela há dois anos, investi muito no cinema, fiz Super Max, que é um seriado de terror e suspense. Estava há muito tempo ser fazer novela e me reconetou com o público, com uma personagem muito carismática e cheia de amor para dar, muito viva; ela tinha uns valores muito legais, é bom mostrar bons valores hoje em dia, valores de família. E tinha humor, que não fazia há muito tempo, e eu adoro! Foi muito gostoso poder transitar nesse novo género.

Ai, ‘tou morrendo de saudades da Tancinha!!

Depois de um projeto tão marcante é preciso um tempo de esperar até outro?

É, sim. Necessário até para a gente poder criar novas ferramentas para criar novos tipos de personagens, para a gente enriquecer em viagens, conhecer outras pessoas, outras culturas. Sempre gosto de fazer isso, quando acabo um personagem, viajo. Adoro viajar!

Por falar em projetos marcantes, as pessoas falam-lhe de alguma personagem em particular?

Falam muito de Chocolate com Pimenta. Foi a minha primeira protagonista e bateu muito no coração das pessoas, foi uma coisa impressionante, até hoje. Acho que é pelo facto de ela ter começado ingénua, um pouco o patinho feio e de repente vir transformada, forte, dar a volta por cima, sempre muito justa. Tenho muito carinho por ela.

E projetos futuros?

Eu tenho um projeto, estou buscando parceiros em Portugal e na França, é um projeto sobre a Princesa Isabel – ela assinou a Lei Áurea, a lei que libertou os escravos. Tem muita história de Portugal e do Brasil e ainda foi casada com um francês. É uma história que vai contar toda essa História, vai envolver Portugal, vai envolver a França… A ideia é fazer um filme ou uma série. Eu vou ajudar a produzir e atuar, vou ser a Princesa!

É esse o plano para 2017?

Sim. E viajar!

E teatro?

Estou louca para voltar mas ainda não tenho projeto. Mas quero voltar e rapidamente.

E da televisão?

Estou de férias.

Daqui a mais vinte anos…?

O tempo passa para todo o mundo; todo o mundo já teve vinte anos e todo o mundo um dia vai chegar aos sessenta ou oitenta e eu espero ter esse caminhar, porque eu amo viver e eu quero estar como a Fernanda Montenegro aos 85 anos trabalhando, exercendo o meu ofício. E com rugas. Ué, fazer o quê? As rugas fazem parte da vida de todo o mundo e será bem-vindo tê-las porque é o sinal do tempo passando. Eu quero ter um envelhecimento com lucidez, com sabedoria.

Liv Ullmann é uma atriz que eu admiro muito e tem um livro chamado “Mutações”. Tem uma frase no livro que eu adoro que é “existe dentro de mim uma menina que se recusa a morrer”. Tenho isso um pouco, tenho muito gosto e alegria pela vida, acho que tenho uma energia assim, gosto de pessoas, gosto de conhecer gente, gosto de estar inteira no lugar em que estou. É o meu jeito de vida.

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