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Negação (Denial, 2016)

Baseado no famoso livro Denial: Holocaust History on Trial, Negação conta-nos a batalha judicial que Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz, vencedora de um Óscar) travou em tribunal contra David Irving (Timothy Spall) em defesa da verdade histórica. Produzido por Gary Foster e Russ Krasnoff, realizado por Mick Jackson, vencedor de um Emmy (Temple Grandin) e adaptado para o ecrã pelo argumentista David Hare, nomeado para um Óscar (The Reader“), Negação chegou às salas de cinema portuguesas esta quinta, 30 de março de 2017.

Este drama centra-se na disputa pela procura da verdade sobre se o Holocausto existiu realmente. Tudo começa quando David Irving processa Deborah E. Lipstadt por difamação na sequência de ela lhe ter chamado negacionista do Holocausto. Como explicado no filme, e ao contrário do sistema judicial que existe em Portugal, segundo o  inglês e em casos de difamação, o ónus da prova recai sobre o réu, e portanto, cabe a Deborah Lipstadt, e à sua equipa de advogados liderada por Richard Rampton (Tom Wilkinson, nomeado para um Óscar), provar que o Holocausto ocorreu.

Negação revela-se um filme incrível pela história de justiça onde há uma procura feroz da verdade custe o que esta custar. Para além do tema abordado, que se revela como mais um motivo para visualizar este filme, destaca-se o elenco que o incorpora, sendo de destacar o desempenho poderoso de Weisz, Spall e Wilkinson. Para além de oferecer um drama satisfatório e impactante, revela-se estranhamente refrescante assistir ao drama do tribunal onde a teatralidade não assenta apenas no interrogatório e na verdade das provas. Assim, para os fãs de dramas judiciais ou para aqueles que apenas gostam de ver grandes actores num bom argumento, Negação vale o preço de admissão.

Apesar do bom desempenho do elenco, e das brilhantes cenas do tribunal, Negação não é um filme tão ativo quanto poderia ser. O argumento de David Hare peca um pouco pela sua calma, e por vezes passividade, que por vezes se revela um desperdício de talento e do assunto envolvido. O filme foca-se demasiado nos argumentos legais, fazendo-o bem, mas sabendo a pouco, tendo em conta toda a polémica em relação ao tema abordado. É um tópico carregado e uma linha difícil de pisar, que apesar de satisfatória, não se revela brilhante.

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