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Power Rangers (2017)

“Power Rangers”, versão 2017, tem estreia marcada para hoje, para gáudio da geração dos anos 90, que cresceu a gritar Morphin Time!, e que deverá estar em pulgas para ver este blockbuster nostálgico. Quem não se lembra de discutir com os amigos sobre quem seria o Ranger vermelho? Havia sempre aquele que ficava chateado por ser relegado para Ranger cor de rosa… Ou mesmo o amarelo. Acabava por ser porreiro ser o preto ou o azul! Mas todos queriam ser o líder! Muito por culpa destes momentos, é com algum êxtase que recebemos este novo filme. Realizado por Dean Israelite, este blockbuster teve ainda o contributo dos argumentistas de “X-Men: First Class”, Ashley Miller e Zack Stentz.

Power Rangers conheceu a fama nos anos 90, sob o formato de série, rapidamente tornando-se numa marca de franchise global. Alcançou o formato de longa metragem por duas vezes: em 1995, sob o título Mighty Morphin Power Rangers: The Movie e em 1997, designando-se Turbo: A Power Rangers Movie”.

Bem, a génese do franchise acaba por ser a mesma de série para série e de filme para filme. Gira tudo à volta de um grupo de adolescentes comuns, recrutados e treinados por Zordon, o mentor. Transformados em máquinas de combate com superpoderes, os Power Rangers são capazes de tudo e mais alguma coisa, até de pilotar máquinas de assalto, os Zords, para superar as ameaças alienígenas que estão à espreita de uma oportunidade para acabar com o mundo. Os vilões partilham todos a mesma tara. Mas pronto. É bom saber que para cada antagonista existem bons samaritanos para tornar a coisa mais engraçada. E vice-versa. Nesta nova oportunidade de lançar os Rangers de novo para a ribalta, o filme promete re-dimensionar o nosso grupo de benfeitores, com fatos x-pto e um Zordon com a voz de Bryan Cranston. A vilã é nada mais nada menos do que Rita Repulsa, interpretada por Elizabeth Banks. Uma super-vilã alienígena definitivamente numa versão mais moderna e aguçada do que a Repulsa original. Com muito verde à mistura, mais parece uma dominatrix/serial killer, e destaca-se pela sua obsessão por ouro.  O seu objectivo passa por capturar um objeto (Zeo Crystal)  que a permitirá destruir o planeta…

Para além de Banks e Cranston, o elenco principal conta com Dacre Montgomery como Jason Scott/Ranger Vermelho, Naomi Scott como Kimberly Hart/Ranger Rosa, Becky G como Trini Kwan/Ranger Amarela,  RJ Cyler como Billy Cranston/Ranger Azul e Ludi Lin como Zack Taylor/Ranger Preto. Jason Scott é-nos apresentado como o típico jovem popular. Um jogador de futebol americano com todas as capacidades para chegar longe, idolatrado na sua cidade natal, Angel Grove. Após um acidente de carro, no qual feriu o joelho, vê todos os seus sonhos irem por água abaixo. Kimberly Hart é aquela rapariga pouco convencional, rebelde sem causa, que guarda um segredo que a torna vulnerável. Trini Kwan é a espertalhona, autossuficiente e observadora do grupo. E é gay, algo nunca antes visto num protagonista de filmes deste género. E depois temos o Billy e o Zack, que se contrastam um com outro. Billy é o tímido, o socially awkward, enquanto que Zack é o senhor confiança, arrogante, dono de si mesmo. Billy enfrenta as dificuldades típicas de quem não se consegue enquadrar, ao passo que Zack, apesar da sua extrema confiança, vive com a sua mãe solteira numa roulote, escondendo por detrás da sua gabarolice o facto de se sentir inferior aos outros. Temos então um grupo de desajustados, que se encontram e se unem, uns dizem por destino, outros por coincidência. O que é certo é que juntos conseguem ultrapassar as suas barreiras e formar uma aliança preciosa para o destino da sua cidade, Angel Grove, e do mundo. Go Go Power Rangers!

Quando chegamos à batalha final, o momento mais entusiasmante, e vemos o Megazord bem rock n´ roll e apetrechado, conseguimos recuar à infância! Lembramo-nos do quão excitante era ver as séries em miúdos, sempre ansiosamente à espera pela formação do Megazord para dar porrada nos maus (Repulsa convoca para o momento apocalíptico um monstro gigantesco feito de ouro… enfim).  Talvez tenhamos a necessidade de transportar esse entusiasmo para um filme que acaba por nos provocar somente nostalgia. Acabam por ser 90 minutos de introdução, ao estilo da história genérica (típico filme sobre a origem do super-herói), em que se debatem os problemas dos jovens que formam os Power Rangers (passam quase metade do filme a aprender a transformar-se, coisa que se resume a terem os fatos coloridos coordenados…). Mas só porque sabemos que este tipo de sequência é medíocre, não quer dizer que não possamos divertir-nos a ver. E é isso que este Power Rangers versão 2017, todo modernaço, nos proporciona. Para quem acompanhou as séries durante a infância, será com certeza uma experiência muito mais entusiasmante. Aposto que alguém na plateia irá gritar Morphin Time!

O grande problema deste Power Rangers é ser lançado numa altura em que este tipo de filme abunda, e mais irão aparecer nos próximos anos, com a Marvel a ter já datas para novos lançamentos (o novo Spider-Man tem estreia marcada para julho deste ano…) e com a DC a começar a dar luta à concorrente. Em ‘95, aquando da altura do lançamento de “Mighty Morphin Power Rangers”, havia espaço para este franchise. Hoje não há. Hoje estamos tão assoberbados da cultura de super-heróis que um novo Power Rangers não vai fazer comichão, apesar de ser pública a intenção de realizarem cinco ou sete sequelas… Pois bem, cá estaremos para ver como, e a que custo, Power Rangers se infiltrará neste mundo e se consegue recuperar o seu espaço.

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