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Sugestão para Domingo à tarde #64: 50/50 (Jonathan Levine, 2011)

Quem vos escreve deve confessar que este é um dos seus filmes predilectos. É um filme de domingo, de segunda, de terça…

50/50 é a derradeira obra sobre a incompreensão de ter uma doença grave, quando ainda se é novo. E aqui o segredo não está no tema, mas na forma.

Adam (Joseph Gordon-Levitt) acaba de ser diagnosticado com um tipo raro de cancro; Schwannoma neurofibrosarcoma, e (obviamente) a primeira coisa que faz é pesquisar na Internet as chances de sobreviver. Eis que chegamos ao 50/50.

Ao contrário do que seria de esperar, ele não tem nenhuma epifania sobre “carpe diem”, ou alguma dessas balelas filosóficas que se podem comprar nos livros de auto-ajuda. Pelo contrário, é do mais humano que podemos imaginar, lidando em primeiro lugar com evitamento, e nunca se mostrando um super-herói.

Aliás, Jonatham Levine (que realiza) tem a capacidade de tornar humano algo que é dos humanos: o cancro. Para além disso, consegue compor sempre uma aura leve, mas awkward. Por mais que nos vamos rindo, sabemos sempre que existe um elefante da sala, que nós evitamos o mais possível.

Para esta aura mais trágico-cómica temos  Kyle, o seu melhor amigo, e um personagem que nos relembra porque é que gostavamos do Seth Rogen no início: um tipo meio parvo, meio cómico, mas um amigo porreiro.

A juntar a este duo dinâmico – em que Gordon-Levitt é absolutamente genial, com a sua interpretação torporosa da dor – acrescenta-se Katherine (Anna Kendrick), a psiquiatra inexpriente que, devido a essa inexperiência, acaba por criar uma relação sui generis com Adam, ajudando-o de uma forma menos óbvia.

O que se vai notando ao longo do filme é uma tentativa de documentar a experiência das pessoas que passam por esta doença, os seus amigos e as suas famílias, sem nunca melodramatizar, ou sem aumentar a carga já de si negativa. Ninguém se sentirá mal por se rir (porque esta obra proporciona isso), nem ninguém vai desatar a chorar, porque 50/50 é bastante subtil, tanto na dor, como da parte mais alegre. Levine consegue criar uma obra em que qualquer um se pode relacionar e que, de alguma forma, termina de forma aberta.

Aliás a última cena – especialmente os últimos 5 segundos – são absolutamente geniais, pela força com que uma frase tão simples pode ter.

Não vale a pena reforçar mais, este é mesmo um daqueles filmes que qualquer pessoa deve ver.

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