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13 Reasons Why – A Série e o seu Call To Action

O Suicídio é a 10ª causa de morte nos Estados Unidos da América. No mundo, 800 000 pessoas por ano tiram a sua própria vida, e não, não foi para chamar a atenção. Por cada suicídio, existem cerca de 25 tentativas, (mais uma vez, não, não é para chamar a atenção). Portanto, 20 milhões de pessoas por ano tentam, ou conseguem tirar a sua própria vida  – e não, “Ah se não tiram, é porque não queriam na realidade”, isso também não é verdade. Desses, 30 % são jovens com menos de 20 anos. Mais do que aqueles que são assassinados, mais do que aqueles que morrem como consequência de guerras, em geral, coisas que vemos nos telejornais, ou lemos nas redes sociais.

Infelizmente, o que é mental não se vê. Se não espirram, se não falam, se ninguém nos ensina a ler sinais, então, como vamos saber?

Nas escolas, onde a imaturidade natural da idade, em conjunto com a aculturação narcisística típica das culturas ditas “evoluídas”, tornam-nos papagaios escolares que sabem um pouco de matemática, história, português, mas que nada sabem do impacto das suas ações. No fundo, nunca ninguém lhes disse que era importante perceber isso para passar de ano (porque na realidade, não é, e é só isso que importa, certo?).

Todos nós conhecemos casos de alguém que se matou, ou se tentou matar, mas não, a educação não tem nada que ver com isso. Quem se mata são os fracos. Será? Ou fracos somos nós que na dúvida, voltamos à nossa bolha de “a culpa é dos outros, ou da pessoa que se matou”. Nestas coisas, não há espaço para culpa, a culpa não serve para nada, ações concretas sim.

E sim, este é um artigo sobre uma série, 13 Reasons Why, que independente da sua qualidade artística, é uma obra que teve a coragem de abordar o que é incomodo.

Kate Walsh, Msr. Baker na série (a mãe da protagonista), disse numa entrevista recente que esta série devia ser passada nas escolas, para que o tema da saúde mental e do suicídio nesta idade fosse abordado. Arrisco-me a dizer que a maioria diria “Na nossa escola não é assim, não acontece”. Talvez não seja, mas será assim tão diferente?

Contextualizando, 13 Reasons Why centra-se nas 13 razões (distribuídas por 13 episódios) que justificam o porquê de uma adolescente de 17 anos, Hannah Baker (Katherine Langford), ter tirado a sua própria vida, sem que ninguém estivesse à espera. Mais uma vez, a típica difusão da responsabilidade comum ao mundo, e não somente a esta faixa etária.

Para documentar as suas razões, Hannah grava 13 cassetes, que vão passando de mão em mão entre todos aqueles que cruzaram o seu caminho e que de alguma forma a levaram aquele derradeiro ato.

Como é referido na própria série e, antes de desistirem e julgarem, vejam até ao fim. Sim, não deixa de haver uma certa hiperbolização de alguns acontecimentos. Algum julgamento, estereotipização. Sabe-me a pouco no entanto, limitar-me a dizer que a banda sonora é incrível, que a série me faz lembrar outra grande obra do mesmo género (The Perks of Being a Walflower) e que é bem filmada.

Não, este artigo afinal não é só sobre a série. Aliás, como a própria série, não é só sobre ela mesma. Se no final, o foco for somente catalogar entre “bom” e “mau”, entre “herói” e “vilão”, entre “boa série”, “má série”, então “you´re missing the point”.

13 Reasons Why fala daquilo que não se vê, não se fala, não se sente, só acontece aos outros, incomoda, esconde-se, reprime-se.

Não, 13 Reasons Why não é uma obra sobre adolescentes, um bait fácil para gerar audiências, ou uma série perfeita, mas levem-na a sério, porque levanta temas que dizem respeito a todos nós, no nosso dia-a-dia.

Os nossos caminhos são também os dos outros, e mesmo que por vezes percamos o rasto aos nossos atos, eles continuarão a ter um impacto.

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