Demain tout commence (2016)

2 é uma família (Demain tout commence, 2016)

Em Portugal estamos muito habituados à influência americana sobre as nossas vidas. Seja em filmes, seja em séries ou seja em músicas, grande parte do conteúdo que nos chega é Made In USA. No entanto, começam já a surgir mais filmes nas salas de cinemas com outros idiomas para além do Inglês. E ainda bem porque caso assim não fosse, nunca nos poderíamos sentir privilegiados ao assistir a esta obra (-prima).

2 é uma família (outra vez com as péssimas traduções) é um filme de emoções fortes ainda que no início da narrativa tal não se previsse. O que começa por ser uma comédia acaba por ser um mar de lágrimas, ao evoluir para um drama sério e com uma mensagem de amor muito bonita (não senhores, não são as hormonas!).

Samuel (Omar Sy) é um party boy que se vê com uma bebé nos braços após a mãe da respetiva lha ter entregue e fugido. No auge do desespero, parte para Londres e vai atrás de Kristin (Clémence Poésy) para “devolver” a bebé mas para além de a não encontrar faz um inesperado amigo gay no metro, Bernie (Antoine Bertrand). A história avança 8 anos e é aqui que esta se desenvolve. A bebé, entretanto já uma criança feita, é Gloria (Gloria Colston), uma encantadora menina com uma educação e vida de fazer inveja a muito boa gente.

Sabem aqueles twists manhosos ou cenas expectáveis que já sabemos de antemão que vão acontecer? Felizmente não apanham nada disto aqui. Há verdadeiros momentos de surpresa ao longo da trama e pode-se dizer que é aqui que reside muito do seu encanto. Porque nada é dado como adquirido ao ver-se este filme.

Então, o que podem esperar? Façamos uma lista:

  • Uma interpretação exemplar por parte de Omar Sy. Começa por ser aquele tipo sempre focado em festas e garinas, ou seja, uma personagem fácil de desempenhar. No entanto, saber fazer rir sem cair no exagero é difícil. Sy é muito natural a expressar-se e isto é a pedra basilar nas cenas de comédia. A vida que dá ao argumento é muito genuína e nada é forçado no que toca à sua prestação. Mas ao mesmo tempo que nos faz rir, faz-nos empatizar muito com ele. No final sentimos cada pedaço de dor e de sofrimento que nos transmite. É uma personagem muito humana e um pai exemplar. Avisamos que se têm daddy issues, a sério, nem vale a pena. Vão antes ver outra coisa…

  • Antoine Bertrand é hilariante. É cada vez mais essencial que as questões de homofobia, infelizmente ainda hoje presentes na nossa sociedade, sejam desmistificadas. Se para tal se tiver que inserir personagens gays, então não nos opomos. Havendo, ou não, esta necessidade (porque a haver equivale a dizer que é algo que precise de normalização e ao contrário é ignorar a realidade), 0 facto é que quando Bernie expressa abertamente as suas preferências sexuais é quando temos bons momentos de riso no filme. Para além disso é aquele amigo de todas as horas, o salvador de Samuel acabando ambos por estabelecer uma amizade bastante improvável.

  • Gloria Colston. Nunca é mais de valorizar quanto talento cabe numa pessoa de palmo e meio. Para além de bonita, é assim qualquer coisa de espetacular. Isso e já tão vocacionada para línguas!

  • Comédia bem feita. Esqueçam as piadas fáceis e que de piadas têm até bastante pouco. É um filme bem pensado e que aproveita bem os seus detalhes. Por exemplo, apesar de ser maioritariamente em Francês há momentos em Inglês que contribuem para alguma confusão entre Samuel (que não fala Inglês) e as restantes personagens.

  • A história. Não entremos em detalhes aqui. Levem é os lenços de papel e lembrem-se: que vos avisa, vosso amigo é.

  • Realização. O diretor que nos trouxe A Gaiola Dourada está de volta e em altas.

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