0603_jackie-brown-wide

Sugestão de Domingo à Tarde #66 – Jackie Brown (Quentin Tarantino, 1997)

Tarantino, o mestre dos diálogos e da violência. O realizador que em cada filme homenageia o género que representa, e os realizadores que idolatra. Difícil é encontrar uma obra, na sua vasta filmografia que seja mau, ainda que esteja longe de ser consensual.

Em Jackie Brown, Tarantino prossegue com o seu processo de cura das carreiras de algumas estrelas de hollywood, neste caso o “touro adormecido” Robert DeNiro e Samuel L. Jackson (que já havia retomado o seu estatuto com Pulp Fiction).

Apesar disso, existem dois nomes que brilham a um nível superior: a estonteante Pam Grier, que interpreta Jackie Brown; e Robert Forster, que faz de Max, um sereno mas implacável agente de fianças (paga as fianças para que criminosos possam esperar pelo julgamento cá fora).

A trama segue Ordell (Jackson), um traficante de armas que, na dúvida, saca da arma. Para isso conta com uma crew que inclui Louis (DeNiro) e mais umas quantas flausinas (destaque para Bridget Fonda). Jackie vê-se envolvida neste esquema quando é interceptada pela Polícia (entre eles um Michael Keaton pós Batman) com 50.000 $ que iriam para Odell. Em resumo, dinheiro, mulheres, armas, e violência, a receita predileta de Tarantino.

Aqui, à semelhança de Kill Bill, a novidade é que é a mulher o centro de força de tudo. Jackie é que conduz toda a narrativa, roubando sempre os holofotes quando entra em ação.

Interessante também ver DeNiro (talvez num dos seus últimos grandes papéis) num registo de mafioso controlado. No fundo, DeNiro em formato bomba relógio, connosco à espera que ele rebente.

Em Jackie Brown não vemos tanto sangue, nem diálogos tão lendários como em outras obras de Tarantino. Aqui há um maior enfoque para a coerência da história, o desenvolvimento dos personagens, e o Twist Hollywoodesco, o que torna Jackie Brown num dos filmes mais “entertainers” do Tarantino dos anos 90.

No final, é absolutamente fabuloso ver aquele elenco em ação e, ainda que não seja tão explosivo quanto outras obras deste realizador, é entretenimento puro e duro, com grandes momentos e tiradas “Tarantinescas”.

PS – Voltem anos 90

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com