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All Eyez On Me (All Eyez On Me, 2017)

Quando Tupac Amaru Shakur foi morto a tiro num drive-by em Las Vegas a 7 de Setembro de 1996, o mundo nem teve tempo de se aperceber o legado que foi deixado para trás. Duas décadas depois, a discussão sobre quem é o verdadeiro assassino de um dos maiores rappers que pisou a Terra continua acesa, ainda que com a falta de provas concretas, sendo este um dos cold-cases mais emblemáticos da História.

Mas da mesma forma que o seu fim prematuro foi marcado pela violência de uma América que anos depois nunca recuperou das acções contra Rodney King em Los Angeles em 1991 e os subsequentes motins, o racismo na dita Terra dos Homens Livres continua e será sempre relevante, mostrando a quantidade de ações violentas a acontecerem diariamente. É por isso que não existe melhor altura que o presente para mostrar a história de um dos mais talentosos rappers de sempre.

A começar pela sua infância, o inicio da ideologia passada pela mãe e o padrasto, ambos revolucionários negros e fortemente oprimidos, sempre carregando um alvo às costas, passando à mudança de casa para Califórnia, onde iniciou a sua carreira como actor e cantor, a vida de Shakur nunca foi fácil, tendo ele sempre que lutar para ter aquilo que queria, juntando também a sua filosofia de liberdade de expressão.

Mas como tudo, uma vida que vale a pena contar é uma vida atribulada com muitos pontos emocionantes, dando assim o caminho para a ascensão para o estrelato e ser uma figura mundial. Sendo a autenticidade algo fundamental num biopic, ainda que Jada Pinkett Smith já tenha refutado alguns pormenores que foram dramatizados, a verdade é que Demetrius Shipp Jr. é a cara chapada de Shakur, ao ponto de haver teorias da conspiração provando que ele é de facto o falecido Tupac. É assim que se demonstra o quão bem está protagonizado, tanto na forma como ele falava, como nos próprios maneirismos e tiques que teve pela sua vida, todo ele digno de uma performance de Óscar.

Infelizmente, esse é um dos poucos pontos positivos do filme, sendo outro a banda sonora icónica, contando uma breve, mas essencial, história de música rap e o inicio de R&B. No fim, All Eyez On Me é uma história emocionante, com alguns pormenores importantes e uma homenagem a uma das grandes figuras da música mundial, mas que descai quando dramatiza em demasia. É aqui que a realização de Benny Boom fica aquém à qualidade de o que é facto e o que é pura ficção para efeitos de narrativa, não mantendo um registo de um autêntico biopic.

Pormenores técnicos à parte, All Eyez on Me pode não ser dos melhores filmes para aprender sobre a vida de Tupac Shakur, mas é um excelente complemento ao documentário Tupac: Resurrection de 2003, que mostra a verdade nua e crua num filme composto por diversos materiais de arquivo e narrado pelo próprio rapper profeta.

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