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Lady Macbeth (Lady Macbeth, 2017)

Inicia-se esta semana de estreias com um dos dramas do ano. Sim, somos ambiciosos nos nossos julgamentos mas perante este tipo de qualidade cinematográfica não nos podemos acanhar nos elogios. Lady Macbeth é soberbo. E poderia ficar por aqui que estas quatro palavrinhas fazem jus ao filme todo.

Antes de mais, convém explicar que este Lady Macbeth não é a personagem de Shakespeare mas antes a personagem do drama russo escrito por Nikolai Leskov (Lady Macbeth de Mtsensk), embora haja um paralelismo no drama associado às duas histórias.

 

Estamos em pleno século 19 de uma Inglaterra rural, num casamento de conveniência entre Katherine (Florence Pugh) e Alexander (Paul Hilton). A união não é a mais romântica e rapidamente Alexander parte para Londres seguido do seu pai Boris (Christopher Fairbank). Katherine rapidamente se apaixona por um homem de classe inferior, Sebastian (Cosmo Jarvis – não podermos censurá-la!). Desafiando a entidade patriarcal, num arrojo de poderio feminino e laivos de paixão arrebatada, é muito fácil empatizar, quase que de imediato, com uma personagem feminina tão forte e corajosa (#girlpower). Infelizmente, o que a sua ousadia é, rapidamente se transforma num comportamento ligeiramente psicótico. E mais não dizemos.

Filmado em cenas curtas e com um ambiente lúgubre, não há minuto algum caído em aborrecimento. Na verdade, as sequências estão todas muito bem encadeadas, havendo espaço a surpresas o que cola os espectadores às cadeiras. Bom trabalho ao realizador William Oldroyd! Em termos de interpretações, Florence, com uma carreira tão curta e com apenas três anos de duração, é tão boa no que faz que é impossível conter a excitação quando se vê alguém tão natural a atuar. É absolutamente memorável e carrega o filme às costas como se nada fosse. Só por ela vale a pena. Felizmente a história é interessante o suficiente para que gritamos “sim, vão ver, por favor“.

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