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Cinema Português e apêndices mamários

O que falta para o cinema Português dar um salto? Primeiro há que situar que salto se quer dar. Se é verdade que com pouco dinheiro é mais difícil, por outro lado há muitos filmes, demasiado maus para serem verdade (curiosamente aqueles com mais apoios). A verdade é que o mercado Português é uma confusão não sedimentada. Não temos tradição em cinema mais comercial, despretensioso e livre de qualquer propósito mais artístico. Vão surgindo alguns esporadicamente, geralmente apoiados por cadeias de televisão privadas e normalmente tão despretensiosos que se tornam péssimos. Depois há aquela necessidade de colocar um par de mamas no meio do filme, uma cena de sexo forçada a Soraia Chaves. Obviamente que assim, facilmente se começa a associar o cinema português, a mamas e a maus projectos.

Tentou-se quebrar a tendência do cinema de autor, com objectivos mais artísticos e menos comercializável, e criou-se uma série de filmes tão maus que nem com os seios da Soraia Chaves podem ser vendidos. Há que manter sempre os padrões de qualidade, o que nem sempre acontece.

Desculparmo-nos com a falta de apoio é igualmente parvo. Se é verdade que deveria haver mais apoio, torna-se complicado arriscar em quem tem pecado ano após ano. É um ciclo vicioso. Os jovens de valor que estão a começar, são muitas vezes tapados pelos “velhos” com os lobbies das televisões por trás e que (mais) facilmente arranjam apoio. No final tudo isto é negócio.

Depois aparece um filme Francês, que fala de Portugal e é logo um sucesso de bilheteira. Afinal o que vem lá de fora é melhor e se tiver “tugas”, inspira aquela sensação de chauvinismo lusitano. A questão é: Não será mesmo o que vem lá de fora melhor? Ou será uma questão de quantidade. Cá fazem-se muito, mas muito menos filmes por ano do que na América, ou na França, por exemplo. Assim, é compreensível que em países de produção maciça,  no meio de tantos, saiam um maior número de obras qualitativamente superiores e que cubram todos os mercados. Cinema de autor, mais artístico, e o comercial, mais apelativo.

Volto a colocar a questão. O que falta para dar o pulo?

Qual pulo, já agora? É dinheiro? Ou é acabar com os lobbies e distribuir o apoio em quem merece? E em relação às distribuidoras e às salas de cinema? Para passar bons filmes Portugueses em sala, é necessário primeiro que os decidam distribuir e depois que os decidam passar.

No entanto, ainda em que número reduzido, encontram-se filmes Portugueses em sala. Por isso, há que ir ao cinema para depois os podermos criticar. Vão, vejam as mamas da Soraia, da Liliana, ou da Débora, cheguem a casa e digam mal do filme, mas pelo menos podem dizer que estiveram lá e tentar criticar o filme construtivamente, para que a malta de cá melhore. Criticar por criticar não leva a lado nenhum.

Em suma, o cinema português é como as mulheres do Hugh Hefner, vale a pena dar uma vista de olhos, nem que sejam só pelas mamas.

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