first-look-at-the-carrie-remake-movie-trailer-feat

Carrie (2013)

Fazer remakes é moda, mas ser moda não significa que seja fácil (basta olhar para gordas de leggings para perceber isso). Kimberly Peirce, que faz filmes de 4 em 4 anos, arriscou pegar numa obra-prima do terror da década de 70. Se em filmes anteriores, como em Boys Don’t cry, tudo funcionou, aqui o inverso ocorreu. No cartaz do filme original pode ler-se “Se gostas de terror, leva a Carrie ao baile”. Pois bem, quem gosta de terror, não leve esta Carrie ao baile.

A história centra-se na vida de Carrie White, uma adolescente filha de uma fanática religiosa, que é constantemente gozada na escola, até que um dia se passa e usa os seus poderes telecinéticos para o mal. Baseada no livro homónimo de Stephen King, esta versão começa bem, com uma cena bastante impactante, que nos introduz Margaret White (Julianne Moore), a perturbada e perturbante mãe.

O início auspicioso é, todavia, seguido de uma estrondosa queda, com direito a duplo “espalho” encarpado. O filme torna-se um verdadeiro teen movie, que mais parecia o Mean Girls. E isto prolonga-se até ao fim.

Ao contrário do original, o ambiente é perfeitamente juvenil, não causa medo, ou inquietação. A ajudar a isto, temos a banda sonora completamente desadequada – filme de terror com Florence and the Machine em fundo – destruindo uma das grandes qualidade do primeiro Carrie de 1976 (ver crítica aqui).

Outra grande falha é a protagonista. Chloë Grace Moretz não se adequa, não por falta de talento, mas por ser o oposto daquilo que lhe era pedido. A Carrie está no imaginário cinéfilo como weird looking, frágil e com uma voz quase imperceptível. Ora, Chloe é gira (usa vestidos de noite apertados) e não consegue deixar aquele seu ar cool de adolescente respondona.

Além disso, fazem de Carrie uma história de vingança bastante controlada, em comparação com a implosão anárquica que a Sissy Spacek deu à primeira versão da história.

No meio disto tudo safa-se Julianne Moore, que parece ser a única a participar num filme de terror. Sendo ela a (única) responsável por puxar este filme para o género do terror, com um “cheirinho” a macabro.

Veredicto: Vejam isto em casa e invistam os trocos que pouparam no cinema para ver outra obra que o mereça (a vida está cara). Em alternativa, gastem em cerveja (a vida está cara, há que beber para esquecer).

Carrie tem estreia marcada nas salas portuguesas para amanhã (dia 31).

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com