Cimarron (1931)

Cimarron foi a quarta produção a ganhar o Óscar de Melhor Filme. A história começa em 1889, quando o presidente Harrison assina uma declaração a permitir que qualquer indivíduo americano reclame terras para si, no local que viria a ser o Estado de Oklahoma e que era, anteriormente, território indo-americano.

A personagem principal é Yancey Cravat (Richard Dix), que começa por querer reclamar como seu algum deste território. Esta personagem vai ser desenvolvida ao longo da maior parte dos 123 minutos de Cimarron, que ultrapassam a entrada no século XX e continuam até 1929. Yancey é um advogado/editor que pretende abrir um jornal e procurar fortuna num sítio distante da família da sua mulher. Infelizmente, e independentemente do sucesso que vem a ter (ou não), Yancey não é o tipo de homem que assenta, constitui família e manda os filhos para a faculdade. A veia aventureira guia as suas acções e valores ao longo de todo o filme e é, mais que o contexto ou a personagem, este o fio condutor da narrativa.

Os actores não sobressaem, nem a acção, nem o som (ainda primitivo, obviamente). O filme pode ser categorizado como slice of life – relata, no fundo, nada mais do que o dia-a-dia de um homem, da sua família e da sua comunidade, naquela altura. Um factor curioso neste filme é a forma como personagens aparentemente secundárias e planas vão ganhando relevo ao longo da narrativa, tendo inclusive momentos de puro protagonismo e desenvolvimento sem que ninguém espere que isso aconteça. Retirar a lente do microscópio de cima do protagonista é não só positivo como fornece algumas lufadas de ar fresco (de que Cimarron muito precisa).

Veredicto: Cimarron era, já na altura da sua realização, um filme de época. Sendo um filme de 1931, isto permite desde logo perceber que não há nada de actual ou familiar que se possa encontrar aqui. Para quem gosta do estilo, ou de continuar a acompanhar as viagens do Spoon ao passado (tendo prazer em efectivamente estudar questões de há 110 anos atrás) é um filme aceitável mas de qualidade questionável.

Yancey Cravat e sua esposa (que mais parece o meu Tio Alfredo com uma permanente e um bocadinho de mais bigode)

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