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Retrospetiva Spoon: Philip Seymour Hoffman (1967 – 2014)

Correndo o risco de citar uma série de “Posts” no facebook de adolescentes que retiram frases bonitas de sites brasileiros, “Uma pessoa só morre quando todas as pessoas que estão vivas se esquecem dela” (googlem isto para parecerem inteligentes). Philip Seymour Hoffman (PSH) tem um legado tão grande (mais em cinema, mas também no teatro), que será impossível ele “morrer” (mas tinha dado jeito ele não se meter na droga).  Assim, mais que o homem, o que fica no final é a obra e este senhor tinha ainda tanta obra por fazer…

Em jeito de homenagem, o spoon vai tentar fazer uma colagem pessoal dos filmes que mais o marcaram. Aqui vai a retrospectiva:

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Hoffman nunca teve o tipo físico de um astro, mas possuía algo infinitamente mais valioso: uma grande personalidade. Foi ela que o fez galgar, aos poucos, a escada do cinema independente e ser absorvido pelo mainstream de Hollywood.

A sua carreira no cinema começou em 1991 – com o filme indie, Triple Bogey on a Par Five Hole – marcando o início de uma era em que participou em alguns dos melhores filmes indie dos últimos anos. Porém, o papel que o lançou deu-se em 1997, em Jogos de Prazer, dando inicio a uma parceria de longa data com o (grande) realizador Paul Thomas Anderson (PTA) – capaz de transformar atores terríveis em nomeações para Oscars, neste caso foi Burt Reynolds. A respeito do filme, retratava a viagem sexual californiana de Mark Whalberg (a fazer de Mark Wahlberg) na indústria porno. Quanto a Hoffman, interpretou um  operador de som gay, no meio dos macho-men da indústria. Pior: está apaixonado por Mark Wahlberg.

A partir deste momento a inteligência mordaz de PTA, incorporado com o espirito trágico-cómico dos filmes e da grande personalidade de PSH, criaram um legado fortíssimo.

Jogos de prazer

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Em 2000, mais uma vez como personagem secundário, PSH participa no filme de Cameron Crowe, Quase famosos. PSH consegue roubar o protagonismo, com o pouco tempo de antena que tem, interpretando um crítico musical da década de 70, mentor da personagem principal da obra.

Quase Famosos

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Avançamos dois anos e vamos parar a uma das obras mais espantosas de PTA, Punch Drunk Love. Em primeiro lugar porque realiza um grande filme “policromático”, cheio de intensidade. Em segundo lugar, porque consegue que o Adam Sandler se pareça com um bom actor (com direito a nomeação para um globo de ouro). Quanto a PSH, aparece muito pouco, mas o facto de fazer de vigarista de uma linha erótica que burlava pobres coitados, faz com que mereça destaque nesta retrospectiva. Não havia ninguém melhor a interpretar estes outcasts/ foras-da-lei.

Punch Drunk Love

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A partir daqui, PSH começa progressivamente a entrar no mainstream de Hollywood (afinal, um homem precisa de pagar as contas). Aqui houve espaço para a terrível comédia romântica Romance arriscado (em que o duo romântico era composto por Ben Stiller/Jennifer Aniston). PSH fazia o papel do melhor amigo anafado. Enfim, pelo menos com a Jennifer Aniston lavou a vista.

Nesta época entrou também na prequela de Silêncio dos Inocentes, Dragão Vermelho e no capítulo 3 da Missão Impossível.

Romance Arriscado

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Chegamos à, talvez, sua interpretação melhor no cinema (o que é discutível), falamos de Capote. Aqui (finalmente) teve direito ao papel principal e logo o de uma figura incrivelmente rica e multifacetada, o escritor Truman Capote. Os adjetivos para esta interpretação serão sempre escassos. É aqui que contemplamos o que é ser ator: a despersonalização completa de um ser humano e a criação de uma personagem (neste caso uma personagem real). Ganhou o Oscar e todos os prémios importantes. Merecia ganhar o bacalhau com natas da minha avó (que é talvez o melhor do mundo) e todas as demais recompensas.

Capote

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Seria de esperar que a maldição do Oscar se pegasse e os seus papeis se tornassem desinteressantes: Tal não sucedeu. Voltou a ser nomeado pela Academia – sempre como ator secundário – por Jogos de Poder (2007), a Dúvida (2008) e em O Mentor (2012).

Recentemente pudemos vê-lo no blockbuster gigante, Hunger Games: Em Chamas, onde teve um personagem que tira proveito das suas qualidades mais famosas: o falso-vilão manipulador.

Hunger Games: Em Chamas

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Todavia, e quase ao mesmo tempo, estreou em Portugal um daqueles filmes independentes que ele tanto gostava de fazer, Um quarteto único. Nesta obra ele desempenhava um homem amargurado e reprimido que queria ter mais destaque no seu próprio quarteto, mas que era ofuscado por todos, inclusive a sua mulher. Um excelente filme, onde ele volta ao registo mais minimalista, que o lançou. Este binómio Mainstream/Indie mostra o seu grande respeito e humildade. Facilmente poderia cair no erro e pretensiosismo de escolher somente filmes para nichos e não procurar as massas. certo é que ele foi é um ator das massas, adorado por todos, dotado de uma multiplasticidade que o fez conseguir representar tudo e mais alguma coisa. O facto de não ser protagonista em mais filmes prende-se pelas exigências estéticas de Hollywood, mas isso nunca o fez parar, nunca tornou pior que os outros. Impunha-se como protagonista, mesmo nas obras em que pouco tempo de antena dispunha.

Um Quarteto Único

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No próximo ano vamos poder vê-lo no capítulo seguinte de Hunger Games, entretanto o seu espólio cinematográfico perdurará até que algum bandido malfeitor envie um meteorito gigante contra o nosso planeta e, nesse caso, vamos todos ser húmus…

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