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O Filho de Deus (Son of God, 2014)

O Filho de Deus é o filme mais recente a relatar a paixão de Cristo. A história já é uma velha conhecida de todos (desde Cecil B. DeMille, até Mel Gibson, já muitos a retrataram). Curiosamente a narrativa inicia-se no Jardim do Éden, contando de seguida alguns episódios do Génesis – o primeiro livro do Antigo Testamento. Fica por apurar o porquê desta decisão, uma vez que apenas dois ou três episódios simbólicos são retratados antes de se saltar uns milénios para o futuro e para o Novo Testamento que relata o nascimento e vida de Cristo.

Avançando para lá do início, o espetador dá-se com um filme que luta para não ser tendencioso. Esta é uma tarefa inglória – como não ser tendencioso quando se retrata o cerne de uma religião que move massas? No entanto é visível que o objectivo do realizador (Christopher Spencer) era transmitir a mensagem da forma mais límpida e menos forçada possível. Para os mais sensíveis aos pregadores que nos batem à porta através dos meios de comunicação, esta não deixa de ser uma obra pouco aconselhável, mas, ainda assim, mais tolerável que a maioria. Diretamente relacionado com este último ponto está uma abordagem mais “realista” ao conto, há menos de santidade imaculada e mais de humanidade lógica nas personagens. Há inclusive pontos que são abordados, pequenas questões, que são extremamente lógicas se se considerar a época e cultura, mas que nunca são abordados. São detalhes que tornam o filme mais inteligente.

Por outro lado, há alguns efeitos visuais que deixam muito a desejar – ao ponto de surgir a questão se se está a ver um filme, ou um desenho animado. É verdade que não é comum, mas quando acontece é bastante perturbador. Também ocasionalmente a transição da banda sonora é abruta e, mais uma vez, perturbadora – não se espera que pequenos erros de pós-produção como estes ocorram numa produção profissional. Por fim, um elemento estranho é o narrador. É lógico incorporar esse elemento na narrativa como uma forma biblicamente mais tradicional de contextualizar e fornecer informação, mas ainda assim é mais um elemento estranho.

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