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Europe in 8 Bits (2013) – Indielisboa 2014

“Como um Super Mário em ácidos”. É esta a descrição dada por um dos músicos de Chipmusic, um movimento que se define pelo uso de instrumentos antiquados de modo a produzir música electrónica em 8-bits. Estamos a entrar num submundo muito específico, como podem adivinhar.

O documentário de Javier Polo explora este nicho de artistas pouco ortodoxos, a maioria deles autênticos nerds de videojogos retro. Polo viaja por toda a Europa (e América) para entrevistar os principais nomes de um estilo musical que nós, comuns mortais, dificilmente sabíamos existir.

O primeiro gameboy, aquele bloco cinzento que mais parece um tijolo com botões, é uma das principais ferramentas. Com muita paciência e dedicação, jovens e ex-jovens fizeram carreira ao manipular a consola, ligando-a a material de DJ e começando a compor música exclusivamente em 8-bits (o formato usado por estas máquinas datadas).

Munidos de t-shirts com logótipos, gameboys esventrados, cabos e efeitos, vemos estes músicos improváveis em discotecas com dezenas de pessoas a bombar ao som de… música em 8-bits. Javier Polo entrevista dezenas destes nerds – uns sorridentes e divertidos, outros mais hardcore e sérios, todos autênticas personagens.

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A música é barulhenta e quadrada. Porquê? Lição de física aplicada: as ondas sonoras comuns traçam linhas perfeitas, enquanto que as ondas processadas digitalmente são cópias brutas dessas linhas. O facto das ondas processadas serem em “escada” (em vez de linhas fluídas) cria um som “quadrado” e estridente que só os fãs de tecnologias obsoletas conseguem realmente apreciar.

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As principais influências musicais são, claro, videojogos. É difícil perceber a escala deste movimento musical, mas o documentário faz um excelente trabalho ao entrar em contacto com dezenas de músicos do estilo. A lógica “do it yourself” aproxima ideologicamente esta chipmusic ao punk: os músicos vão a lixeiras procurar computadores antigos, ou andam por feiras-da-ladra à cata de máquinas estragadas e consolas antigas. Muito do material tem de ser reparado antes de servir de instrumento para estas obras-primas em 8-bits.

O documentário é bem-humorado e visualmente divertido, com animações retro coloridas e sequências com glitches (erros técnicos propositados). A música, digamos, não é o tipo de coisa que nos embala para dormir. E muitos dos artistas entrevistados dariam bons estudos de caso. Mas nota-se que é um filme feito com admiração e sentido de humor, que é sempre bonito de se ver. E agora com licença, vamos ali limpar uns cartuchos e jogar pokémon.

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