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Depois de Maio (Après mai, 2012)

Em Maio de 1968, uma série de greves e manifestações estudantis fazem estalar a revolução em França. Uma revolução inflamável que explode com todas as barreiras e valores sociais da época. Depois de Maio coloca-nos nos tempos imediatamente a seguir à revolução, quando os seus resquícios ainda se sentem latentes numa espécie de fervura silenciosa que só lentamente começa a desvanecer.

Olivier Assayas, nascido em 1955 em Paris, apresenta-nos os acontecimentos de maio tal e qual como, muito provavelmente, os testemunhou. O filme prima pela sua capacidade de retratar fielmente uma juventude que, hoje em dia, nos parece já muito distante. Sentimos o peso da responsabilidade que estes jovens sentiam – talvez o filme tenha mesmo chegado ao fim sem haver um único sorriso genuíno. Não há espaço para trivialidades. Esta é uma juventude preocupada com as realidades do mundo e a sua construção política e intelectual; e que sabe o poder que tem. Também Portugal conheceu uma juventude assim – momento Ted Mosby do dia -, tendo havido duas revoluções estudantis, em 1962 e 1969, numa altura em que o traje académico ainda era usado por razões dignas e socialmente úteis.

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Mas, não querendo induzir o leitor em erro, é importante dizer que a obra de Assayas não se foca no espírito revolucionário destes jovens mas sim na sua procura de um rumo para as suas vidas. Um despertar da consciência. Uma busca constante de um futuro em que as suas ações sejam consistentes com as suas convicções. Gilles (Clément Métayer), Alain (Felix Armand) e Christine (Lola Creton) são a personificação desse processo de descoberta e criação. É através deles que vamos sendo guiados por um plot que acaba por ficar um pouco aquém das expectativas: intecionalmente ou não, a verdade é que o realizador nos faz saltar para o evento a seguir sem ter finalizado, de forma íntegra, o anterior; deixando o espectador numa ligeira frustração que pode facilmente transformar-se em tédio.

 Depois de Maio deixa-nos ambivalentes: se por um lado nos envolve com uma banda-sonora que encaixa na perfeição, por outro apresenta-nos os personagens em figurinos e caracterizações muito mais forçadas do que naturais. Talvez para alguns, as musicalidades de Syd Barret, Nick Drake e Tangerine Dream não sejam suficientes para colmatar essa falha. A verdade é que outras longas-metragens já o fizeram melhor, seja com o tom sombrio e poético que Philippe Garrel deu a Os Amantes Regulares (2005), ou com a ousadia e extravagância d’Os Sonhadores (2003) de Bernardo Bertolucci.

Também as prestações dos atores pediam um pouco mais de força. Ainda que Clément Metayer e Felix Armand se tenham estreado revelando algum potencial, as suas atuações ficaram apenas no limite do aceitável. Lola Creton, que já tinhamos visto em Um Amor de Juventude (2011), arrisca-se a ser comparada a Kristen Stewart se continuar a apresentar sempre o mesmo rosto enjoado em todos os personagens que interpreta.

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