americans

The Americans – Balanço do final da 2ª Temporada

A 2ª temporada de The Americans chegou ao fim e, como aconteceu na temporada de estreia, o tema principal permanece o conflito entre o patriotismo, esse compromisso que sacrifica o indivíduo por uma causa maior, e o amor e as conexões humanas. A diferença é que, nesta temporada o sentimentalismo tem prevalecido sobre a disposição para cumprir o dever.

Estamos sentados perante um banquete, uma multiplicidade de histórias e pratos para saborear, mas cada pedaço que nos chega à boca vem excessivamente condimentado. As personagens têm baseado demasiado as suas decisões em emoções e companheirismos pondo de parte a lógica calculista e fria que caracterizou os episódios de estreia.

Coincidência ou não, as situações estão cada vez mais complicadas para quase todos eles.

Phillip (Matthew Rhys), depois da lesão de Elizabeth (Keri Russell), parece uma mãe medrosa com tendências hipocondríacas. O espião parece gradualmente mais duvidoso e afetado pela natureza do seu dever e, à parte demonstrar maior dificuldade em eliminar obstáculos – como quem diz: pessoas que se cruzem no caminho –, tornou-se demasiado protetor em relação à parceira.

Já Elizabeth está concentrada em proteger e manter a família junta, relegando os desejos e conquistas da grande Mãe-Rússia para segundo plano.

Ambos estão muito mais focados em si e nos seus, já não se definindo tanto como os russos contra os americanos, mas a família contra qualquer ameaça. É interessante esta mudança, quase como uma ocidentalização: fora com a inospitalidade calculista soviética e boas-vindas calorosas à afetuosidade americana.

Muito mais interessante se tivermos em conta que, enquanto se vão mostrando mais abertos às tendências do inimigo, são e estão terminantemente contra o envolvimento da filha, Paige (Holly Taylor), com a igreja americana. Falam de fanatismo religioso, lavagens cerebrais e o condicionamento dos pensamentos e opiniões da adolescente, sem compreender que eles próprios podem ter sofrido o mesmo por parte dos soviéticos que lhes atribuem as missões.

Quem são realmente os maus da fita? Como podemos ter a certeza de estar a apoiar o lado que detém a verdade? E, com essa incerteza presente, será que vale a pena arriscar a integridade física por uma causa, por algo que não nós mesmos e os nossos?

Tudo se resume a uma questão de confiança, ao amor e fé que depositamos seja em pessoas ou ideais.

Nina Sergeevna, interpretada pela belíssima Annet Mahendru, fez apostas dos dois lados e saiu duplamente desiludida. Começou por se envolver com o agente Beeman (Noah Emmerich), a quem deu informações sobre operações do KGB. Descoberta e enfrentando uma acusação de traição, virou o jogo e passou a transmitir informações sobre o amante, o FBI e outros segredos a que conseguisse lançar o ouvido, aos seus superiores na rezidentura russa. Recebeu promessas de apoio do seu superior Ivanovich (Lev Gorn) e juras de amor de Beeman e de Oleg Burov (Costa Ronin), um novo colega que também demonstrou interesse romântico na russa. No entanto, ninguém veio em seu auxílio, nem o amor nem o idealismo. Vimo-la partir para a execução, condensando desespero, desilusão e a imorredoira esperança num último olhar lançado pelo vidro traseiro do automóvel.

O amor consegue ser um sentimento ingrato e depositar confiança noutra pessoa é o maior perigo a que alguma vez podemos estar expostos. Pobre Nina Sergeevna, pode muito bem tê-lo aprendido da pior forma possível.

Ainda há tempo, ainda há uma hipótese para a salvar. Mas alguém tomará a iniciativa?

Se há algo que aprendemos com The Americans é que ninguém é inteiramente de confiança e a série volta a provar-nos isso ao fechar a temporada com uma revelação estrondosa que certamente condicionará os próximos episódios: o KGB pretende implementar uma segunda geração de ilegais e Paige é uma das potenciais recrutas. Será a família junta contra qualquer ameaça ou o patriotismo cego de Elizabeth vai voltar a dar sinais? O amor e as relações humanas voltam a estar em oposição com o idealismo e o sacrifício pela causa maior: qual o vencedor deste combate?

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com