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E Tudo o Vento Levou (Gone with the Wind, 1939)

Há filmes que ficam para a história, sobrevivem como marcos indisputáveis de uma época, ou de uma forma de fazer cinema. Indiscutivelmente E Tudo o Vento Levou é um desses filmes: com um nome reconhecido por gerações de cinéfilos mais ou menos dedicados, esta é uma obra que não deve ser perdida por ninguém. A história segue Scarlett O’Hara (Vivien Leigh), uma jovem sulista atraente, de boas famílias e com muitos pretendentes – exceto aquele que ela realmente quer. Entre triângulos e quadrados amorosos, surge a Guerra Civil e todo o contexto muda, numa das muitas reviravoltas que 238 minutos de filme permitem.

O grande ponto forte deste filme é o facto de acontecerem tantos eventos diferentes, com tantas consequências, com momentos mais ou menos felizes para as personagens que o espectador acompanha, e ainda assim não parecer ser demasiado e não transmitir a ideia de que tudo se sucede sem tempo para cada acontecimento ter as consequências bem exploradas. Por outro lado, há a criticar que, depois de um trabalho exímio como este, é puramente dececionante que os últimos 20 minutos do filme sejam exatamente o contrário. Nesta parcela final da obra tudo se sucede – nomeadamente tudo o que é negativo. Ainda estamos no momento X, eis que surge momento Y ainda mais dramático e pesado, e logo a seguir surge Z, de fazer chorar as pedras da calçada. No seguimento deste ponto negativo é inevitável que o final tenha deixado a desejar: entre a fraca sequência ininterrupta de misérias e o “pseudo-twist” final que pouco sentido faz; o final é sem dúvida o grande calcanhar de Aquiles de E Tudo o Vento Levou.

Há que reconhecer, ainda assim, várias qualidades a esta produção: o elenco é particularmente bom, com uma atuação que soa natural, humana e nada teatral, bem diferente do estilo mais exagerado da época. A produção em si – para não se afastar muito de outros filmes destas décadas – é de uma dimensão gigantesca, com cenas de cidades bombardeadas pela guerra, pequenos palacetes e cenas de ação em carruagens no meio de pontes.

Concluindo, E Tudo o Vento Levou não é um clássico por acaso. Apesar do fim dececionante, a verdade é que estamos perante um filme cujas personagens sofrem um desenvolvimento acentuado e bem concretizado entre uma montanha russa de emoções, acontecimentos históricos e experiências pessoais.

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