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Ela Está de Partida (Elle s’en va, 2013)

Catherine Deneuve é um tesouro nacional Francês. Aliás, é um tesouro mundial. Desde Polanski, até Manoel de Oliveira, todos os realizadores se encantaram com a sua presença.

Por isso, nada melhor do que pegar numa sexagenária Catherine Deneuve e fazer render o peixe. Foi o que, provavelmente, pensou Emmanuelle Bercot ao fazer este Ela está de Partida. Tornou Catherine Deneuve mundana, na esperança de que o público se relacionasse com uma personagem problemática, e que, na reta final da sua vida, põe tudo em retrospetiva.

Essa retrospetiva dá-se quando, após estar presa a um restaurante endividado, se apercebe que o seu amante a trocou (e à mulher também) por uma jovem de 25 anos – situação que não volta a ser abordada. Aí, Bettie (personagem da Catherine) decide fugir de si própria, procurando se encontrar noutro lugar. Situação que é alegoricamente representada pela procura de um maço de tabaco.

Ora já Sanit-Exupéry dizia; “A fuga não levou ninguém a lado nenhum”. Desta forma, ao longo de quase duas horas de filme, ela vai sendo confrontada com os seus problemas, que vão sendo progressivamente revelados, muitas vezes através de situações disfarçadas de comédia, e sempre alicerçadas no talento de Catherine. Um desses “problemas” trata-se da sua filha Muriel, alguém tão estável como uma mesa de três pernas, e que transfere toda a sua raiva para a sua mãe, que se percebe ser ausente. Aqui destaque para a interpretação de Camille, a excêntrica cantora francesa, que, nesta obra, faz as lides de atriz.

Até aqui, há que fazer um paralelismo com outro filme de Deneuve, Os Chapéus de Chuva de Cherburgo (1964), que tratava da mesma fuga (ou semelhante), mas 50 anos antes.

Talvez não seja completamente justa esta comparação, porque neste caso, Ela está de partida, parte de muitos lados e foge para muitos sítios, sem chegar a destino algum. Às tantas transforma-se numa “road trip” entre avó e neto (Nemo Schiffman) e no estreitar de relações desta díade.

Por fim, acresce-se a pitada de romance à “salada de fruta” em que o filme se transforma. Havendo tempo para uma situação de drama familiar ao estilo Julia Roberts- Merryl Streep em Um Quente Agosto.

A verdade é que estas alterações todas de enredo se seguram devido à mestria de Deneuve, que mesmo de peruca cor-de-rosa (o que acontece numa cena do filme) consegue sustentar a sua classe, que suporta um filme algo confuso, mas que, apesar de tudo, apresenta bons momentos de reflexão.

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