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Godzilla (2014)

Explosões grandes, monstros gigantes e humanos pequeninos. Se isto vos atrai, já devem saber que Godzilla é uma aposta segura (ser previsível tem essa vantagem). Ou então talvez sejam fãs de longa data, à procura de uma experiência que vos transporte para aqueles anos de inocência onde dinossauros gigantes era do mais fixe que havia – nesse caso, eis a vossa oportunidade. Para os restantes: beware.

O monstro japonês apareceu em filme pela primeira vez em 1954. Desde então houve criatividade, ou falta dela, para mais 29 filmes (!), a esmagadora maioria deles japoneses. Este de 2014 é apenas a segunda produção americana de Godzilla, depois da primeira tentativa em 1998.

Bryan Cranston, o ator recentemente mega-famoso por fazer de Walter White na série Breaking Bad, faz o papel de Joe Brody, um cientista a trabalhar num laboratório japonês. Uma explosão com origem não-identificada leva à morte da mulher de Brody. Quinze anos depois, o filho de Joe – Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson) – é um militar que quer que o pai deixe de obcecar com as origens dessa explosão, mas o cientista acredita que esta foi causada por uma qualquer força escondida pelo governo. O que acaba por ser verdade, já que pouco tempo depois um monstro gigante é “acordado” e começa a destruir tudo o que lhe aparece à frente. Ora, para os não versados em Godzilla-logia (a maioria de nós), podíamos achar que este monstro é o Godzilla – mas não. O “verdadeiro” Godzilla vem em modo resgate, para restabelecer o equilíbrio perturbado por este primeiro monstro. Portanto, o filme mete os humanos numa posição de impotência, servindo de público para monstros gigantes a lutar até à morte.

Felizmente o filme não incorre no pecado número um do género: demorar demasiado tempo para começar a acontecer seja o que for. Infelizmente, incorre no segundo pecado mortal: é demasiado longo, logo aborrecido. 123 minutos de monstros e humanos aos berros tende a cansar, por maior que seja o orçamento.

A certa altura Joe Brody morre, e com ele a última personagem potencialmente interessante neste filme. Ficamos a andar de um lado para o outro com os dramas e fugas de Ford Brody, que pouca empatia criam e servem apenas de pano-de-fundo para mais pancadaria monstruosa. Temos depois um final anti-climático e uma cena épica(mente foleira) para fechar esta odisseia.

Isto não é o típico Godzilla low budget, e o que se ganha com dinheiro (explosões mais explosivas) perde-se naquele quentinho que temos quando vemos um filme tão barato que tem piada. Vale a pena ver o aspecto dos Godzillas que parecem vindos de um típico episódio dos Power Rangers:

Não se julga um filme destes pela subtileza artística ou pela originalidade. Há as típicas catchphrases foleiras, e fortes colheradas de explicações pseudo-científicas para os eventos. Os atores não se destacam e a história nunca surpreende. Portanto, como analisar (“criticar”) um filme destes? Quem o quiser ver, provavelmente já sabe para o que vai: um blockbuster a capitalizar no franchise japonês cujo objectivo máximo é explodir com cidades e meter monstros gigantes a lutar. O que é que se pode querer mais da vida?

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