Opening Film - Cannes Film Festival 2014

Grace de Mónaco (Grace of Monaco, 2014)

Grace do Mónaco fica aquém das expectativas. A falta de aprovação pela Casa Grimaldi e a fraca receção na abertura do Festival de Cannes alertam logo para essa possibilidade e a ida ao cinema confirma a desilusão. A obra de Olivier Dahan é salva pela irrepreensível atuação de Nicole Kidman, que tem o seu melhor desempenho dos últimos anos.

A história é conhecida por todos, principalmente entre os mais velhos… No fim dos anos 50, Grace Kelly, uma das mais conceituadas atrizes da época, deixou Hollywood porque encontrou o seu “príncipe encantado”. Até aqui o filme diz-nos tanto como a Wikipédia. A partir daqui, dá-nos a sensação de ser feito para americanos – a Europa é apresentada como antiquada e fechada em protocolos sem sentido, enquanto Grace representa a América de pensadores sem preconceitos. É um retrato um pouco redutor.

O tom quase condescendente mantém-se ao longo da obra, elevando Grace ao patamar de “salvadora da pátria”. Isto contrasta com o príncipe Rainier, trazido por um Tim Roth mais apático do que o habitual, que se torna numa personagem secundária, quase figurante, na decisão sobre o destino do seu próprio país. E no fim de contas, são a Princesa e o seu charme que impedem a França de invadir o Mónaco.

Se não fosse inspirado numa história verídica, seria uma versão adulta dos Diários da Princesa. Se fosse apenas uma história fictícia de uma plebeia trazida do outro lado do Atlântico para um pequeno recanto europeu, teríamos uma hora e meia de deleite, com direito a intrigas políticas e familiares, acompanhadas por um amor de conto de fadas. Assim, ao reduzir o valor das pessoas que a rodeavam, acabam por tirar credibilidade e mérito a Grace, que queriam enaltecer e que por certo mereceria.

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