Untitled

Slovenka (2009)

Aleksandra (Nina Ivanisin) tem 23 anos, lambe os cigarros antes de os fumar e √© prostituta. Oriunda de uma pequena cidade eslovena que parece ter parado entre os anos 70 e 90, decide ir estudar ingl√™s para Ljubljana, a capital, mas acaba por se focar nos quartos de hotel dos estrangeiros que por l√° passam e nas notas de 100 que lhes saem do bolso. Edo (Peter Musevski) n√£o imagina que a sua filha √© a famosa Slovenka (‚Äúrapariga eslovena‚ÄĚ), a prostituta que sai nas capas dos jornais por ser procurada pela pol√≠cia na sequ√™ncia da morte de um cliente.

Damjan Kozole leva-nos a passear pela cinzenta e fria Ljubljana seguindo as passadas de Aleksandra, que cedo come√ßa a aperceber-se dos perigos que corre com as redes de prostitui√ß√£o existentes na cidade. O realizador triunfa na forma como nos faz sentir o peso de um pa√≠s p√≥s-sovi√©tico e a sua sociedade pobre, sacrificada e deprimida, principalmente nas cidades mais pequenas. Kozole √© muito eficaz tamb√©m ao deixar o espectador confuso sobre como percecionar Aleksandra. Mesmo mostrando-se egoc√™ntrica, ego√≠sta e manipuladora, n√£o conseguimos deixar de ver a ‚Äúrapariga eslovena‚ÄĚ como um beb√© vulner√°vel que quase queremos proteger, principalmente quando a vemos na cama, de pijama, a cerrar os pulsos e apertar a barriga de medo, while ‘one’ guitar gently weeps. Sabemos que Aleksandra manipula e despreza todos √† sua volta, √† exe√ß√£o do pai e da amiga Vesna (Marus Kink), n√£o por pura maldade mas pela sua instabilidade emocional. As m√£os tremem-lhe enquanto fuma e n√£o √© do frio. Ansiedade, √© a palavra.

Slovenka corre a um ritmo lento mas n√£o aborrecido e abrange subtilmente um vasto conjunto de tem√°ticas (solid√£o, suic√≠dio, obsess√£o, entre outras) que acabam por sustentar um clima relativamente pesado ao longo de todo o filme. Destaques positivos tamb√©m para Nina Ivanisin, que capta muito bem a intensidade e instabilidade da jovem, e para a banda sonora de Igor Leonardi ‚Äď bom ouvir Frank Zappa a fechar o √ļltimo cap√≠tulo.

Ficamos sem saber se Aleksandra se vai despir de Slovenka e recome√ßar uma vida diferente. Mas √© certo que a vemos tomar consci√™ncia de que o caminho que estava a escolher n√£o era o melhor quando, encostada a uma parede mal pintada numa rua escura, Aleksandra treme o cigarro nas m√£os e, de olhos fitos no vazio, vai sussurrando a m√ļsica que se ouve dentro do bar. Watch me now, I’m going down.¬†

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