Studio 60 on the Sunset Strip

Studio 60 on the Sunset Strip (2006-2007)

Aaron Sorkin é um dos argumentistas mais proeminentes e talentosos de Hollywood. Quase tudo o que escreve revela ter valor. Desde séries (Os Homens do Presidente), passando por filmes (Rede Social), Aaron fez de tudo. Melhor que isso: Aaron fez quase tudo bem (uma espécie de anti-Michael Bay).

Infelizmente, um dos seus maiores trabalhos (em termos qualitativos), não se verificou um sucesso de audiências. Studio 60 on the Sunset Strip, tem talvez uma das melhores primeiras temporadas de sempre da televisão. Se a qualidade desse origem a continuidade, a sua história poderia ter sido diferente. Certo é que vivemos perante a frieza dos números e essa frieza ditou que – ao fim de uma temporada, um Emmy e uma nomeação para os globos de ouro – fosse cancelada.

Studio 60 on the Sunset Strip é a história de um programa de televisão, ao estilo de Saturday Night Live – contada por dentro da indústria e no meio dos meandros e dificuldades de conseguir equilibrar um programa de televisão semanal, transmitido em direto, com as audiências.

O seu arranque é fulgurante, com um monólogo poderoso do diretor executivo do programa, Wes Mendell (Judd Hirsh) que, ao ter um aparente esgotamento em direto, se revolta contra a censura e contra os lobbies religiosos e a falta de qualidade na televisão – absolutamente genial.

Depois do seu despedimento, três nomes surgem: os recém-contratados diretores executivos Matt e Danny (Matthew Perry e Bradley Whitford), e a nova e bela diretora do canal NBS, Jordan (Amanda Peet). Os três em conjunto são os designados para salvar o programa.

Por outro lado, todo o stress de fazer programas em direto e, de forma mais geral, os vícios e problemas dos atores, também é ponto central em Studio 60. Nesse papel destaque para Simon (D.L. Hughley) e Harriet (Sarah Paulson). A série conta ainda com outros atores conhecidos e com diversas participações especiais. Um destes ilustres conhecidos (aqui antes de despertar para a fama) é Simon Helberg (o  Wolowitz da série Teoria do Big Bang).

Ao longo dos 22 episódios são intercalados momentos de excelência, com alguns capítulos que pouco acrescentam em termos de qualidade. Mas a verdade é que a fasquia posta no 1º episódio – e isto é transversal a todas as séries de Aaron Sorkin, basta ver Newsroom – era tão alta, que igualar já é um feito.

Depois, apesar de ser uma série, tem uma fotografia como se se tratasse de uma obra cinematográfica. E, mais que isso, tem atores convidados que tornam muitas vezes alguns episódios duplos, obras à parte.

O maior destaque talvez seja John Goodman, que faz uma aparição em dois episódios, tornando-os uma espécie de filme dentro da série.

Porém a cereja no topo do bolo – mais uma vez, transversal a toda a obra de Sorkin – é a crítica às estruturas americanas do poder, aos lobbies políticos e religiosos (basta lembrar-nos de Homens do Presidente) e ao ridículo de alguns costumes de uma américa ainda muito conservadora.

O confronto com o ridículo é posto aqui de forma expositiva e não em tom de crítica direta. Sorkin “desconstrói” uma cultura, pondo a nu a sua fragilidade, dando-nos a oportunidade de concluirmos aquilo que considerarmos mais pertinente concluir.

Fácil de perceber é que, quem acha que as séries são o parente pobre do cinema, nunca viu este Studio 60, nem conheceu Aaron Sorkin. Vejam e aprendam.

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