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A Vida de Émile Zola (The Life of Emile Zola, 1937)

A Vida de Émile Zola é um filme sobre a vida de um famoso escritor francês. É um bom filme e colheu imensos benefícios por ter sido feito em 1937, tornando-se difícil imaginá-lo a obter o resultado final que se pode ver nos ecrãs, se fosse realizado nos dias que correm: o ambiente da época (séc. XIX, na sua maior parte) e do país em que se passa a história é reproduzido sem dificuldade, o que permite ao espectador centrar-se apenas na personagem.

Zola (lê-se Zôlá) começa como um jovem escritor que só quer escrever, expor a verdade – por muito feia que seja – e manter-se fiel à sua crença de que justiça e verdade valem mais do que dinheiro e uma barriga cheia de comida. Zola partilhava estes princípios e um apartamento decrépito com o seu amigo de longa data, o pintor Paul Cézanne, mas enquanto Zola acaba por conseguir atingir sucesso com os seus livros controversos, que expunham realidades frequentemente ignoradas e assuntos polémicos para o país e para a sociedade, Cezanne manteve-se livre do “domínio do dinheiro”, preocupando-se apenas com pintar a verdade.

Eventualmente, Zola apercebe-se de que, com o passar dos anos, se afastou daquilo em que acreditava e assume nesse momento a defesa de um controverso tema – o que o leva a ser julgado, condenado a um exílio autoproposto para evitar a prisão e o impede de continuar a escrever o que mais ninguém se atreve a escrever.

Apesar de humilde na aparência, o filme é brilhante na narrativa que apresenta ao espectador. E há que dar particular crédito aos fantásticos diálogos – frequentemente monólogos – interpretados por Paul Muni (no papel de Émile Zola). São discursos escritos na perfeição e executados com mestria, que refletem sobre questões como a lealdade, a justiça, a verdade, a corrupção e todos os valores que o espectador vê serem postos em causa e discutidos ao longo de todo o filme.

Um filme como este é a prova viva de que o tempo pode fazer justiça a quem é condenado injustamente no passado. Tanto cultural como pessoalmente, é inspirador conhecer as lutas e as decisões de um homem que é frequentemente descrito como “ um momento na consciência humana”.

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