Harry Potter Sorcerers Stone 1

Filmes da Minha Vida (João Peixoto): Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, 2001)

O ano é 2001: o terror dos ataques de 11 de setembro foram de certo o grande marco desse ano. No entanto, com apenas 5 anos de idade, não me inseria nesse cruel mundo e a história é totalmente diferente.

“Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light” – J. K. Rowling

Começamos a nossa história a 30 de novembro do mesmo ano, um dia de inverno que ficará para a minha história. Depois de um daqueles longos almoços familiares toma-se a decisão de ir ao cinema. Não tinha passado muito tempo da estreia d’O Gladiador  que seria a óbvia primeira escolha dos meus familiares. Porém, devido à minha tenra idade e falta de capacidade cognitiva para acompanhar o fluir das legendas, acabámos numa outra sala. O filme que passou relatava a vida do rapaz mais miserável e solitário que podem imaginar. No seu décimo primeiro aniversário, um gigante barbudo vem revelar-lhe a notícia da sua vida (e da minha também) – “You’re a wizard Harry”. O filme era, se ainda não se aperceberam, Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Saí daquela sala, fascinado, a repetir na minha cabeça a última frase proferida (que infelizmente não consigo fielmente reproduzir em português – “I’m not going home, not really” – e efetivamente não fui, pelo menos inteiro, uma vez que um bocado de mim tinha ficado no filme.

O universo Potteriano moveu a minha geração e rapidamente tornou-se num mundo por si só. Prendeu especialmente a geração em que me insiro, pois acompanhámos a série de um modo isocrónico, crescemos com os atores e com a história… Nenhum “Potterhead” alguma vez esquece aquele primeiro plano da escola de magia e feitiçaria de Hogwarts, da primeira vez que vê quadros falar, vassouras voar…

Em 2001 mergulhei numa fase da minha vida que só dali a 10 anos terminaria. A saga foi para mim, durante os anos “turbulentos” da puberdade e mesmo da infância, um porto de abrigo, um filme que podia ver repetidas vezes para me animar e para onde podia fugir.

For in dreams we enter a world that is entirely our own. Let them swim in the deepest ocean or glide over the highest cloud.” – J. K Rowling

Ao longo dos anos fui acompanhando o amadurecimento da série, todos os anos com o mesmo ritual: 1) ler o livro 2) aguardar, impacientemente, o lançamento do filme 3) ver repetidamente o mesmo.

Senti o decréscimo da qualidade ou simplemente aprumei a minha ideia de um melhor filme. A partir do terceiro fascículo, a série perde a sua magia (o que se baseia, em grande parte pela perda da fantástica banda sonora de John Williams) e também a sua inocência. A partir daí os filmes tornam-se progressivamente mais negros.

Embora ingénuo, os filmes causaram em mim uma necessidade  de refletir sobre os valores da amizade, de coragem, de solidão e da própria morte.

Passados 10 anos, em 2011, fui arrastado contra vontade e (paradoxalmente) cheio de vontade para uma sala de cinema no centro comercial Colombo para ver o final épico desta jornada. Durante as duas horas e dez minutos que se seguiram despedi-me, ferverosa e melancolicamente das personagens; refleti sobre a primeira vez que vi o filme e que senti aquela magia dentro de mim. Foi o fim de uma era. O culminar de 10 anos, 4000 páginas em livro e 20 horas em cinema.

Desde então a ideia de fazer maratona dos filmes surge esporadicamente e a necessidade de rever, na cabeça, os momentos mais marcantes é urgente. Também, por vezes, até passo vários minutos de conversa a debater os plotholes existentes que anos antes eram premissas dogmáticas.

Mesmo agora, ao escrever este artigo, dou por mim a vaguear pelos filmes em busca do tempo perdido da infância…

Assim, com saudade, penso que o filme não é de certo uma obra cinematográfica genial, mas foi uma saga que me contagiou de início ao fim e por isso merece uma menção honrosa enquanto filme da minha vida.

“Dumbledore watched her fly away, and as her silvery glow faded he turned back to Snape, and his eyes were full of tears.

“After all this time?”

“Always,” said Snape”

  • Diana Gago

    Melhor quote era impossível!

    • João Peixoto

      Não era legítimo acabar de outra maneira! Espero que tenha deixado tão boas recordações como me deixou a mim

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