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Maléfica (Maleficent, 2014)

A Disney encerra dentro de si alguns dos maiores clássicos intemporais. O que se tem notado recentemente é uma tentativa de revisitar contos clássicos (dentro e fora do universo Disney), tentando torna-los mais abrangentes em termos de faixa etária. O que acarreta sempre algum risco pois, mesmo os clássicos aparentemente infantis, tinham morais da história capazes de cativar dos 8, aos 80.

Neste caso, em Maléfica, a intenção é corajosa, pegar num clássico de 1959, Bela Adormecida, e recontá-lo, centrando-se na personagem, originalmente, representativa dos males do mundo, como a inveja e a vingança.

Aqui os papéis invertem-se e a malvadez de Maléfica não é original, mas uma consequência dos males da sociedade.

Contextualizando, Maléfica (Angelina Jolie), uma fada protetora da floresta, apaixona-se por Stefan (Sharlto Copley), um jovem ambicioso, corrompido pela ganância e pelo desejo de ser rei. Essa ambição desmedida leva-o quase a matar Maléfica, recuando no último instante. Ao invés, rouba-lhe as asas (e como poucos dos que nos leem têm asas, vamos só supor que perde-las é algo complicado de superar). A verdade é que o Vicodin é uma inovação recente, e , desta forma, a maneira que Maléfica encontra para lidar com a dor, é vingando-se, amaldiçoando a filha do, agora, Rei Stefan, Aurora (Elle Fanning). A maldição já é sobejamente conhecida: aos 16 anos, ela cairá num sono profundo e só poderá ser despertada pelo beijo do verdadeiro príncipe.

Nesta nova versão, a perspetiva é um pouco mais cínica, e, devido ao trauma de Maléfica, o amor verdadeiro não é definido na sua forma prototípica. Da mesma forma, dando uma visão mais realista do mundo, tenta-se não bipolarizar a história entre bons e maus, pretos e cinzentos, sendo todos o resultado do contexto.

A ideia é refrescante e os efeitos visuais são absolutamente geniais (este filme terá muitos óscares técnicos) – talvez uma das histórias visualmente mais bem conseguida dos últimos tempos.

O início é empolgante, com pequenas, mas visíveis alterações ao conto original, traduzindo-se numa menor infantilidade. Pedindo a Angelina Jolie que seja simultaneamente o mais pérfido dos pesadelos, mas capaz de gerar compaixão – o que acaba por conseguir na maioria do tempo.

Infelizmente, o último terço da obra (de 97 minutos) entra numa espécie de piloto automático, criando um final demasiado previsível e apressado. A calma que mostraram em enquadrar a obra, não existiu no processo de lhe dar um fim. Existindo uma bipolaridade de tons que acaba por tornar um filme potencialmente excelente, numa excelente ideia com potencial para muito mais.

Se muitas vezes se criticam as obras por esticarem uma história, aqui a crítica vai no sentido inverso; encurtaram e apressaram algo que poderia ser alongado e diferenciando-se dos demais.

  • Rafaela Rolhas

    nao tava a espera de uma nota tao alta !

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