a-million-ways-to-die-in-the-west01

Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas (A Million Ways to Die in The West, 2014)

Quem viu Family Guy, American Dad, ou ainda Cleveland Show. Quem teve a oportunidade, ou o desejo, de tomar atenção no filme Ted. Para esses, é fácil saber o que esperar de Seth Mcfarlane. Nesse sentido, quem gosta, irá a correr para o cinema; quem odeia (pois com Seth não há meio termo), irá na mesma correr para o cinema, para ter a oportunidade de se juntar ao coro repetitivo das, igualmente repetitivas, críticas.

Essa política de maldizer é tão ou mais redundante quanto as obras de Seth Mcfarlane que, não fugindo a um tipo muito específico de humor com prazo de validade, vão funcionando. Em Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas, voltam a funcionar.

Os ingredientes estão cá todos, a sátira à sociedade americana, a crítica aos costumes religiosos e conservadores, extremamente incoerentes, dos nativos deste país – e que facilmente se poderia estender ao resto do mundo.

O objetivo é dar mais do mesmo, com uma roupagem diferente, e acrescentando algo, em relação a Ted. Nesse sentido, a história é só um ornamento para um festival (ou será chavascal?) de piadas, algumas de gosto questionável, mas que, invariavelmente, provocam risos.

Contextualizando; nos confins sulistas da américa dos finais do séc. XIX, vive Albert (Seth Mcfarlane), um pastor de ovelhas, com pouca apetência para as armas, e um vocabulário e sentido de humor muito à frente do seu tempo. Talvez por essas razões, é deixado pela sua namorada Louise (Amanda Seyfried), que se prefere juntar a Foy (Neil Patrick Harrys – o garanhão da aldeia, que puxa dos seus galões de Barney para este papel, com direito a catchphrases de How I Met Your Mother). Felizmente para Albert, Anna (Charlize Theron), surge no seu caminho, ajudando-o a conquistar de volta Louise (e nós já sabemos como isto acaba). Por outro lado, o único senão de Anna, é ser casada com o bandido mais mortífero do Oeste, Clinch Leatherwood – interpretado por um Liam Neeson, versão Dirty Harry Clint Eastwoodiana (perceberam a analogia “inteligente” das palavras?).

A questão da inteligência é o ponto fulcral neste filme, e no tipo de humor apresentado. Seth (que aparece em todas as cenas) centra o filme à sua volta, enveredando por uma série de situações “choque” e de nonsense, já típicas, e adicionando cenas gore, carregadinhas de sangue à trama (vocês vão rapidamente perceber o porquê do nome do filme).

Certo é que, ao contrário do que se possa pensar, existe alguma inteligência nos diálogos (em alguns), misturada com piadas envolvendo pénis de ovelhas e cocó de cavalo (piadas muito gráficas). Aqui vislumbra-se a tentativa de criar humor partindo de uma filosofia: a aleatoriedade da vida, e a falta de nexo para as coisas que acontecem. Dessa forma, não há qualquer explicação para a aleatoriedade, nem para o caos. Apenas a apresentação de uma filosofia, disfarçada de cocó de vaca e de um vernáculo tão exagerado, quanto a beleza de Charlize Theron.
Nota final para algumas referências cinematográficas, que são expostas de forma óbvia ao longo do filme e uma cena pós-créditos curta, mas memorável.

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com