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Mistaken for Strangers (2013)

“Another uninnocent, elegant fall into the unmagnificent lives of adults.”

The National

Mistaken for Strangers (2013) começa por obrigar o espectador a duas coisas: a) reajustar expetativas e b) escolher uma diferente perspetiva de observação, para poder apreciar o documentário. Por isso, se és o super fã de The National, daqueles que não perdem nenhum concerto e estão à espera de um documentário todo indie sobre a banda, acalma-te. Não vai acontecer.

Tom Berninger é o irmão mais novo de Matt Berninger, vocalista dos The National. Tom é mais gordinho, mais careca e mais inseguro do que Matt; está nos seus 30 anos, ainda vive em casa dos pais e é incapaz de terminar seja que projeto for. Num gesto evidente de altruísmo, Matt convida o irmão a participar na Tour da banda enquanto esta apresenta ao mundo o seu último álbum, High Violet. Tom decide levar a sua câmara para fazer um documentário sobre a tour e a banda. Mistaken for Strangers acaba por não ser nem uma coisa nem outra, mas sim uma representação tão íntima quanto awkward da relação entre dois irmãos quando um se sente a mera sombra do outro.

Adivinham quem é quem?

Adivinham quem é quem?

Há demasiada humanidade em Mistaken for Strangers para se dizer que é um mau documentário. Mas, não sendo mau, também não significa que seja genuinamente bom. A hora e meia de filme que Tom Berninger nos apresenta deixa-nos meio ambivalentes porque, se por um lado nos dá uma perspetiva e insight diferentes sobre uma banda em tour, por outro fá-lo de uma forma quase amadora e acidental, o que nos obriga a questionar se o filme teria ido efetivamente parar aos cinemas, à escala mundial, se Tom não fosse irmão de quem é. É por isso que este documentário nos obriga a algo extraordinário que nem todos são capazes de fazer: ter mente aberta.

Para além de exigir uma atitude aberta ao espectador, Mistaken for Strangers tem outros pontos positivos. Sendo invariavelmente autobiográfico, contém um lado muito mais íntimo e pessoal do que a maioria dos documentários musicais, que acabam por ser apenas um conjunto de cenas com púbicos em histeria e entrevistas aos membros das bandas. Nesse sentido, a obra de Tom Berninger acaba por ser inovadora e abrir novos caminhos e perspetivas no universo dos documentários musicais.

O que nos faz duvidar de Mistaken for Strangers é que, o que há de positivo no documentário, parece ter sido um mero acidente. O tom e atmosfera são maioritariamente amadores e inestéticos, a técnica e fotografia são quase inexistentes – sendo raras as filmagens que possamos chamar de bonitas – e a piscologia e profundidade da relação entre os dois irmãos é que acabam por oferecer algum interesse. Ficamos com uma leve impressão de que Tom Berninger, apesar de ter certamente algum talento, recebe com Mistaken for Strangers mais mérito que o que merece. Nos créditos finais, vemos que Carin Besser (esposa de Matt Berninger) participou na edição do documentário e o próprio Matt na sua produção. Além disso, o documentário mostra como Tom se decide a terminar a obra apenas após ser convidado pelo irmão para se mudar para sua casa em Brooklyn e se dedicar ao trabalho. Mais uma vez, ficamos com a sensação que sem o altruísmo e apoio que recebeu da família, o jovem realizador não teria sido capaz de levar a sua obra até ao fim. Mistaken for Strangers parece ser, acima de tudo, um ato de amor.

“All the very best of us string ourselves up for love”. 

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