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Por Falar de Amor (Words and Pictures, 2013)

Da mesma forma que para haver ovo, é preciso existir galinha (ou vice-versa, depende da teoria), para que o ensino seja excelente, não basta só bons professores. No seguimento deste paralelismo, para se ter um bom filme, não bastam dois atores.

É exatamente aqui que chegamos a Por Falar de Amor, mais um daqueles filmes sobre professores e alunos, que se emaranha num lamaçal de frivolidades de onde poucos saem. Todos se lembrarão do Clube dos Poetas Mortos, ou do mais recente, Half Nelson. Ambos falavam do ensino, da relação com os alunos, e ambos se distinguem facilmente do presente filme por terem a qualidade de se sentirem como únicos. Com algo que os diferencia. Ora, o erro de Por Falar de Amor é apenas por apenas se conseguir diferenciar devido ao duo protagonista.

Contextualizando, a história segue Jack Marcus (Clive Owen), um professor de Inglês de secundário, numa escola do interior. Marcus para além de professor, consegue ser também um ex-ilustre poeta e um atual alcoólico, o que dá sempre jeito a uma trama.

Entretanto surge Dina Delsanto (Juliette Binoche), uma artista plástica de méritos firmados, mas que, devido a sofrer de artrite reumatóide, se vê obrigada a ser mais professora do que pintora.

Não será preciso dizer que como comédia romântica que se avizinha, eles não só se cruzaram na escola, como também no quarto.

É exatamente aqui que a história de professores começa por descer de “bom”, para “satisfaz menos”. O conceito em si fala de dois pólos diferentes da arte: as imagens – defendidas por Dina – e as palavras – defendidas por Jack (quando sóbrio). Esta dualidade está presente em todos nós, começando pelo nosso cérebro (lóbulo esquerdo das palavras, contra o direito das imagens). Sobre este pretexto cria-se uma história com potencial para dizer mais do que aquilo que acaba por dizer. No fundo não diz nada e limita-se a simular inteligência, mas gerando apenas felicidade de domingo à tarde.

Aqui, nada a apontar à dupla de protagonistas que encarna as personagens de forma irrepreensível. Em especial, Binoche é absolutamente genial como toda a sua deambulação entre depressão e hipomania.

Só é pena mesmo os clichés de comédia romântica, a que se juntam os clichés de filme sobre a escola, em que todos aprendem algo novo, neste caso, sobre a arte, e no fundo o mundo é perfeito e tudo tem solução. The End.

Nem o mais ingénuo e virgem cinematográfico irá abrir a boca de espanto para o desenlace que se vai dando na obra. O nó era tão fácil de desatar que até a própria personagem com artrite reumatóide seria capaz de o desfazer.

Fiquemos por alguns bons diálogos e uma excelente prestação dos atores, tudo o resto é para acrescentar à pilha de “perda de tempo” que vamos acumulando ao longo da vida.

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