fading-gigolo-woody-allen

Quase Gigolo (Fading Gigolo, 2013)

Nobody fucks with the Jesus.

Se todas as personagens de Turturro fossem como aquela que ele desempenhou em O Grande Lebowski, este Quase Gigolo seria imperdível. Infelizmente, não é caso. O filme sobrevive devido a algumas piadas bem colocadas e o único trunfo na manga do realizador: Woody Allen.

A história pode ser resumida em quatro frases: (1) Murray (Woody Allen) propõe a Floravante (John Turturro) que este utilize os seus dons de bom-amante para se tornar num prostituto de luxo; (2) Floravante aceita, Murray torna-se o seu manager (chulo); (3) Floravante tem sucesso na sua nova “carreira”, até conhecer Avigal (Vanessa Paradis); (4) Floravante terá de lidar com os seus sentimentos por Avigal e um outro pretendente, um polícia a investigar as acções ilícitas da dupla Floravante-Murray.

Esta premissa aguenta o filme decentemente, mas peca pelas doses poderosas de previsibilidade. Resta-nos o ambiente ligeiro e simpático de Nova Iorque e a qualidade das piadas (que vai flutuando). Turturro apostou demasiado em referências judaicas (algumas imperceptíveis), personagens-tipo dispensáveis, e em geral fica-se com uma sensação de qualquer coisa colada com cuspo.

Para muitos, o atrativo deste filme é, claro, Woody Allen – e com razão. Quase Gigolo podia muito bem ter sido realizado por Woody, e ganharia muito com a sua presença acrescida. Murray é de longe a personagem mais divertida e, infelizmente, progressivamente menos aproveitada ao longo do filme. Allen desempenha a sua típica persona neurótico-judaica, com um timing perfeito: uma das suas primeiras falas é em resposta a Floravante, que lhe pergunta “estás em drogas?!”. Resposta: “Tirando os antidepressivos, não”. As restantes prestações – de Vanessa Paradis, Sharon Stone ou Sofía Vergara – são competentes sem surpreender, com destaque para o sex appeal divertido de Vergara.

Em 2005, Turturro tinha já realizado um filme com a mesma fórmula: Romance e Cigarros era Nova Iorque, um elenco promissor e sexualidade em debate, e infelizmente resultou numa experiência um tanto previsível e desinteressante. Acontece o mesmo neste filme. Entretém o suficiente para se espreitar, e os fãs de Woody Allen vão ter a sua dose diária recomendada de humor auto-depreciativo. De resto, esperemos de Turturro volte em breve, como ator, para as mãos dos irmãos Coen.

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com