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Tom na Quinta (Tom à la ferme, 2013)

Xavier Dolan é um diamante em bruto. Com apenas cerca de 25 anos, o realizador e ator lançou já quatro longas-metragens cuja qualidade vai sendo visivelmente crescente. Dolan tinha já mostrado o seu potencial em Eu Matei a Minha Mãe (2009), o seu primeiro filme, e continuara a explorar-se como ator e realizador em Amores Imaginários (2010), por exemplo, deixando-nos meio intrigados sobre a qualidade e intensidade da sua obra. Tom na Quinta (2013) é o filme que vem clarificar qualquer dúvida que tenhamos em relação ao potencial do realizador, posicionando-o numa nova fasquia e deixando-nos curiosos sobre o que virá para a frente.

Tom (Xavier Dolan) aparece de surpresa, numa quinta isolada de tudo, para ir ao funeral do seu namorado, Guillaume. O primeiro encontro é com a mãe de Guillaume, que o encontra adormecido com a cabeça e braços caídos sobre a mesa da cozinha. Agathe (Lise Roy) vive um luto e angústia complexos, parecendo focar-se mais no respeito e carinho que os outros deviam ter pelo seu filho morto, do que na sua própria tristeza de mãe que acaba de perder um filho. Agathe não consegue aceitar que Sarah, a suposta namorada de Guillaume, não tenha aparecido para o funeral. Só que Sarah não existe. Sarah é uma mera ficção inventada pelo irmão homofóbico de Guillaume para encobrir a sua homossexualidade. Francis (Pierre-Yves Cardinal) cumprimenta Tom pela primeira vez com uma tentativa de o sufocar em vez de um aperto de mão; e assim se inicia uma relação psicótica e abusiva que vai prender Tom à quinta durante mais tempo que o que seria esperado.

Entre o thriller e o melodrama, Dolan faz desenrolar a ação com um tom e uma estética diferentes dos filmes que anteriormente havia realizado, fazendo lembrar um pouco Gus Van Sant em Elephant (2003), ou Paranoid Park (2007), mas mantendo a sua originalidade. A homossexualidade, tema recorrente do universo do realizador, é aqui retratada com grande subtileza – embora seja o cerne da questão – através das ações neuróticas e homofóbicas de Francis. Tom na Quinta submete o espectador a um desconforto, por vezes, quase asfixiante e a qualidade das performances dos atores contribui largamente para que se instale esse ambiente intenso e caótico, em que sexualidade e violência parecem agir como um só e o que resta é apenas o medo e o instinto de sobrevivência.

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