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X-Men (2000)

Bryan Singer era, em 2000, um realizador em ascensão, depois de críticas excelentes aos seus primeiros filmes – especialmente devido à obra de 1995, Os Suspeitos do Costume – Singer preparava-se para lançar a sua carreira noutra direção: Super-Heróis.

Depois do flop que tinha sido Batman e Robin (um filme de Joel Schumacher, com George Clooney quase a arruinar a carreira), esta categoria precisava urgentemente de uma renovação, para voltar a ser levada a sério.

Surgiu então X-Men, a equipa de super-heróis, baseada na banda-desenhada da Marvel, criada pelo mítico Stan Lee, numa altura (década de 60) onde os seus objetivos eram muito mais que entreter; naquelas histórias aos quadradinhos conseguia-se ler, nas entrelinhas, uma crítica fortíssima a alguns aspetos da sociedade. Direitos dos homossexuais, Racismo, Antissemitismo, eram estas algumas das temáticas que originaram estes “mutantes”.

Ora, no início do séc. XXI não era este o foco, aqui o que se pretenderia seria entreter – ao que parece criou-se uma ideia, que vigora até hoje, que a profundidade pode aborrecer.

Neste primeiro capítulo, eramos apresentados a duas equipas de mutantes: uma chefiada pelo pérfido Magneto (Ian Mckellen) e a outra pelo justiceiro Professor Xavier (Patrick Stewart). Obviamente o foco da história recairia sobre a equipa dos bons – dos quais poderemos incluir Wolverine (Hugh Jackman), Cyclops (James Marsden), Storm (Halle Berry) e Jean Grey (Famke Janssen). Os seus objetivos eram não deixar a equipa de Magneto transformar toda a humanidade – que os censura – em mutantes.

Porém, antes dessa batalha, somos introduzidos a cada um dos personagens individualmente; com especial enfâse no carismático Wolverine, que rouba bastante parte do tempo da ação.

A verdade é que este X-Men procurou dar uma dimensão humana e menos infantilizada a este género – um pouco à semelhança do que já tinha acontecido com o Batman de Tim Burton -, tendo sempre em mente que o principal objetivo era entreter. Para isso, após desenvolver algumas histórias secundárias (a abrir caminho a futuras sequelas), o centro da narrativa foram as cenas de confronto, repleta de efeitos especiais, ainda que há data, algo comedidos.

A obra tem cerca de 90 minutos e nesse sentido peca por não ir mais além. Procurou abrir precedentes e renovar um género e, de certa forma, até conseguiu, mas sem atingir a excelência.

No entanto, é ponto assente que, durante a hora e meia de duração, a obra tem um ritmo bastante acelerado, o que resulta em níveis muito satisfatórios de entretenimento. Por outro lado, perde-se por não desenvolver mais os personagens – Cyclops é quase um personagem de ornamentação, que pouco faz.

Desta forma, Bryan Singer renova um conceito, que tinha sido quase aniquilado, e permite que daí em diante se deixe de encarar os super-heróis como personagens infantis e bizarras. Não obstante, tal não impediu o realizador de vir a criar um dos piores filmes de super-heróis de sempre, 6 anos depois: Super-Homem: O Regresso.

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