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Filmes Pró-Verão: Conta Comigo (Stand By Me, 1986)

Um clássico dos anos 80, Stand By Me, é baseado num conto de Stephen King intitulado de The Body do mesmo livro que veio originar outras adaptações cinematográficas como Shawshank Redemption e Apt Pupil.

Uma verdadeira pérola do cinema que deixará uma marca nos corações dos espectadores. Aqui, O escritor presenteia-nos, novamente, com uma história fantástica e violenta que muito provavelmente criou ao refletir sobre a sua infância perturbada.

Tudo na vida muda e Stand By Me não evita essa premissa: “Friends come and friends go, people live, people die”. Por oposição, o mesmo é uma excepção à regra; uma obra intemporal lançada em Agosto de 1987. Stand By Me é um filme sobre os vínculos fortes da infância baseados na experiência partilhada, na aceitação mútua, e no apoio nos bons e maus momentos.

“I never had any friends later on like the ones I had when I was twelve. Jesus, does anyone?” – Gordie Lachance

Após a morte de um amigo, o agora escritor Gordie Lachance, envereda pela Memory Lane e narra uma história inédita e exclusiva da sua infância. Estamos em pleno verão de 1959, na pequena cidade de Castlerock no estado de Oregon. Gordie, Chris Chambers, Teddy e Vern viajam pelos caminhos de ferro da cidade em busca do corpo de um jovem desaparecido. Ao longo deste trilho aprendem inúmeras lições sobre a vida e também a defenderem aquilo que acham estar certo. Um olhar restrospectivo e saudosista sobre crescer e sobre aqueles dias longínquos da infância perdida.

Gordie (Wil Wheaton) sente-se totalmente desamparado em casa. Já passaram meses desde que o seu irmão mais velho morreu e os pais, ainda incapazes de ultrapassar a notícia, vivem apáticos e mais próximos do filho que foi do que do que ficou. O pai não aceita o desejo de Gordie de se tornar num escritor e espera que ele siga os passos do irmão no desporto.

Chris (River Phoenix) vive com um pai alcoólico e abusivo. É o único que compreende a solidão de Gordie e é por isso o seu amigo mais chegado. O seu exterior duro esconde o desejo fulminante de singrar na vida e de sair daquela cidade onde todos os vêm como alguém sem futuro.

Teddy Duchamp (Corey Feldman) é o amigo louco que sonha em juntar-se ao exército para seguir as pisadas do pai que “esteve presente” nos desembarques da Normandia.

Vern Tessio (Jerry O’Connel)  é o miúdo gordo e o mais consciente do grupo que receia pela sua segurança duvidando de todos os planos.

Um dia Vern, debaixo do alpendre à procura do dinheiro que aí enterrou, ouve uma conversa sobre a localização do cadáver de  Ray Brower que tem sido extensivamente procurado. Conta ao grupo o que sabe e este rapidamente quer partir numa operação de resgate do corpo em troca de fama televisiva.

Estes quatro amigos estão destinados a seguir caminhos diferentes, mas neste verão, parecem estar unidos para sempre, contando histórias em  volta da fogueira, fazendo promessas de mindinho e debates sobre quem é que ganharia numa luta ou quem adquiriu os maiores e mais belos seios…

Fora do radar de qualquer adulto, os quarto rapazes dão os primeiros passos em direção à independência.

Somos instantaneamente absorvidos pelo ambiente e envoltos no sentimento de nostalgia e de perda, ao som de bandas American as an aplle pie como Ben E. King, The Chordettes e Jerry Lee Lewis.

Stand By Me é para alguns o último sabor da inocência e para outros o primeiro da vida. No entanto é para todos o tempo de que as memórias são feitas. Rob Reiner captura a vulnerabilidade não só da juventude como da identidade masculina.

Nunca antes o público ficou tão surpreendido com jovens atores como em Stand By Me. Todas prestações são realmente fenomenais mas destaca-se River que está deslumbrante durante o filme inteiro. Embora o filme seja juvenil  não é certamente direcionado para uma faixa etária jovem. Há uma grande dose de asneirada irónica e de criançada a fumar!

“Altough I hadn’t seen him in more than ten years, I know I’ll miss him forever”– Gordie Lachance

 

  • mario

    Fantástica análise ao «stand by me». Não conheço o autor (do filme), nem li o livro que lhe deu origem, mas a julgar pela descrição estamos perante um filme que é uma autêntica obra prima. Os meus sinceros parabéns ao autor deste magnífico texto, escrito com sensibilidade, maturidade e «olhos de ver» para além do evidente. Se o filme for tão bom como a análise que o autor lhe dedica, merece cinco estrelas!
    MR

    • João Peixoto

      Muito obrigado pela fantástica crítica à crítica! Sempre ótimo ouvir essas coisas.
      Nada melhor para começar o verão. Mais uma vez obrigado e a próxima já vem a caminho!

  • André Peixoto

    Quanto à crítica, o texto está bom e muito bem defendido. Gostei bastante.
    Nota-se que tiveste uma verdadeira empatia com o filme. Por acaso, ou não, revi o filme no verão passado. Junto com os Goonies, é do ano anterior, mas com inúmeros pontos de contacto. No que toca à camaradagem e formação pessoal e moral que só se dá ao sermos confrontados com os dilemas que nos farão pensar nos mesmos e tomar posições. Estes filmes mais antigos são fantásticos porque os próprios não se resumem a uma visão demasiado maniqueísta tão em voga actualmente. Aguardo ansioso pela próxima recensão. Aquele Abraço. André

    • João Peixoto

      Por acaso não será certamente. São filmes que acompanharam uma geração e ainda criam em nós um grande impacto.
      Realmente um filme até refletivo!
      Obrigado pelo apoio! A próxima está para breve.
      Abraço

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