DRAFT DAY

Draft Day – Dia D (2014)

Draft Day – Dia D é um drama desportivo. E não haja dúvida que, enquanto o baseball é o “desporto dos Estados Unidos”, o verdadeiro desporto rei é o futebol americano. Nos últimos anos a National Football League tem vindo a crescer e a entranhar-se na cultura norte americana.

O Draft Day é o evento anual onde as equipas da NFL escolhem jogadores universitários para jogarem por eles. É o evento mais antecipado do ano, o dia mais optimista do futebol americano.

O ambiente de “war room” no dia mais importante da NFL era demasiado atraente para Hollywood evitar durante muito mais tempo. Deste modo chegou Draft Day, um filme, repleto de cameos de estrelas do desporto, que funciona como uma espécie de behind the scenes de como as equipas podem ser criadas e destruidas com apenas uma simples negociação.

No dia do recrutamento da NFL, o diretor desportivo Sonny Weaver (Kevin Costner) tem a oportunidade de reconstruir a sua equipa. Sonny tem que decidir o que é que está disposto a sacrificar em troca da “equipa perfeita” – o coitado está a ter um mês bastante stressante, próprio dos filmes. Este tem que escolher entre o jogador menos talentoso que recompensa em caráter, humildade e necessidade e o jogador prodigioso, mas menos humano.

No dia que pode mudar a vida de centenas de jovens que aspiram jogar na NFL, a vida pessoal e profissional misturam-se, originando uma confusão de emoções desgastantes que não irão chegar ao final do dia da mesma maneira que começaram. Sonny Weaver tem que lidar com a morte do seu pai, a notícia de que irá ser pai e o peso de todos os adeptos dos Cleveland Browns.

Sonny recebe um telefonema de um jogador, Vonte Mack (Chadwick Bowman) para o relembrar que precisa de ser escolhido em, pelo menos, sétimo lugar. Caso contrário terá que passar por dificuldades uma vez que tem uma família de que precisa de cuidar: “My nephews like to tumble. I don’t.”. Sonny reúne-se com o proprietário dos Browns, Anthony Molina (Frank Langella) num parque aquático. Este aconselha-o a criar um grande impacto, pois é o que os fãs querem.

A partir deste momento o enredo desenvolve-se, sem grande profundidade e de maneira extremamente previsível, optando por um rumo clichê e pouco interessante.

Draft Day nem é tanto sobre futebol como é encontrar claridade numa encruzilhada pessoal e profissional. É um filme sobre chegar ao fim do dia e conseguir resolver o trabalho!

A escolha de Kevin Costner para o papel principal foi talvez a melhor opção do filme. É no papel de atleta envelhecido com uma certa arrogância que o ator mais se sente em casa, como visto no filme Field of Dreams. Foi sem dúvida a melhor opção do realizador Ivan Reitman para Draft Day.

O elenco não é mau de todo (Patrick St. Esprit, Kevin Costner, Jennifer Garner e Frank Langella) porém não lhes é possível salvar um texto já aborrecido. A equipa técnica bem se esforçou por preencher esta falta de conteúdo com algumas imagens e planos realmente bem executados, criando uma estética heterodoxa; contudo o erro já estava feito. O que falta a Draft Day é aquilo que faz mexer as 6 milhões de pessoas que acompanham a NFL.

O nível de autenticidade pode conquistar os fanáticos pelo futebol americano. No entanto os esforços para embelezar o filme e os “subplots” criados de modo a atingir um público maior acabam por fazer perder o objetivo inicial de ser um filme puramente desportivo e podem vir a frustrar os maníacos do futebol americano. O filme acaba por não ser direcionado para aqueles que adoram o desporto nem para os fãs do cinema. O filme flutua num meio termo que não é de todo delicioso.

 

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