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Filmes Pró-Verão: Kings of Summer (2013)

Kings of Summer é mais um daqueles coming of age kind of movies. Um filme sobre amizade, família e o significado de crescer. Um filme nostálgico, relacionável e inteligente.

Enquanto crianças, nada queremos mais do que ser tratados como adultos. Nada queremos mais do que nos rebelar contra aqueles que nos dão comida e abrigo – é isso que significa ser adolescente, e é isso que está tão bem retratado neste filme.

“We do swear, under pain of friendship lost, to never speak of this enterprise to any adults; to never betray its location or its participants.”

O enredo gira em volta de Joe Toy (Nick Robinson) e Patrick (Gabriel Basso), dois adolescentes que querem precipitar-se na vida adulta. Cada vez mais frustrados pelas tentativas de controlo dos pais, decidem escapar para a floresta. Declaram a sua liberdade construindo uma casa que se regerá pelas suas regras.

É no decorrer deste plano que os dois amigos conhecem Biaggio – o miúdo estranho e estranhamente divertido. Sem se perceber muito bem de onde vem e para onde é que poderá ir, Moisés Arias, seduz-nos com o seu humor tão singular e ingénuo. Aliás a obra deve muito a esta personagem e à de Franck (pai de Joe, interpretado por Nick Offerman) que nos traz também um humor muito particular, desta vez mais negro e acutilante.

O argumento está longe de ser original, mas não é por isso que se torna mau. Na mesma linha que Stand by me, este filme acompanha perfeitamente a juventude inquieta e os longos dias de verão onde o tempo parece parar de fluir.

melodramatismo, no sentimentalismo excessivo, no melodramatismo e na lamechice… O que não acontece em demasia no filme; o tom da história é vibrante, bem humorado e capaz de nos deleitar com a sua brisa de verão.

Outro aspeto problemático que um filme de adolescentes acarreta é a escolha de um bom elenco: serão os jovens atores capazes de erguer um filme de qualidade? Neste caso as prestações são sólidas e naturais não sendo as emoções nunca forçadas.

Visualmente o filme é maravilhoso. O realizador Jordan Vogt-Roberts tem um talento especial no que toca ao pormenor das imagens, aos planos rápidos com o potencial de transmitir, talvez mais que o diálogo, as violentas e desconfortáveis emoções de cada personagem. O diálogo é bem trabalhado e equilibrado e não dá prioridade ao lado dramático em detrimento do lado veranil e cómico.

O filme tem também um lado mais fraco: talvez por não se querer tornar muito sério, as metáforas e os simbolismos apresentados foram atenuados, impedindo que a mensagem fosse transmitida na suatotalidade.

I met a dog the other day that taught me how to die.”

É um filme com um certo charme à Wes Anderson, que lembra tanto em enredo como em cinematografia Moonrise Kingdom. Um êxito de Sundace que promete uma óptima experiência para vivenciar neste tímido início de verão. Um maravilhoso momento cinematográfico repleto de soberbas paisagens selvagens e personagens humanas.

Desta forma, se tens vontade de te sentir mais jovem, de começar a planear as aventuras deste verão então não percas este filme. Promete uma nostálgica reflexão sobre a infância e a sua inconsciência, sobre o as primeira paixões e as amizades para sempre.

“O filme pareceu-me um bom comprimido anti-conformismo” – Alexandre Vaz, crítico de cinema e dandy moderno.

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