house-of-cards-2

House of Cards (Temporada 1, 2013)

House of Cards tornou-se conhecida quando Barack Obama admitiu que era a única série televisiva que seguia. O Spoon não sabe se isto é motivo suficiente para o espectador dar uma oportunidade a esta série, mas não tem dúvidas quanto à qualidade que apresenta. A história acompanha um membro do Congresso, Francis Underwood (Kevin Spacey), na sua ambiciosa escalada pelo poder: membro fundamental na eleição do novo presidente dos Estados Unidos, vê-se sem o lugar de poder que lhe havia sido prometido em troca dos seus serviços. Traído e desiludido – e com a ajuda da sua esposa Claire (Robin Wright) – Underwood dá início a um plano de vingança frio e calculista.

Três coisas fazem esta série realmente brilhante. Primeiro, Kevin Spacey. Não há volta a dar, este ator é perfeito na sua interpretação desta personagem, trazendo-a à vida com um toque pessoal facilmente reconhecido por quem viu Beleza Americana e Os Suspeitos do Costume. Em segundo lugar, temos a complexidade do enredo, das relações que se criam, dos planos a longo prazo que começam com ténues pistas, dos frutos a serem colhidos quando o espectador já se esqueceu das árvores. Nesse aspeto, poder-se-ia comparar House of Cards a A Guerra dos Tronos – versão personagem única no mundo do Congresso dos Estados Unidos. A narrativa acaba por mergulhar em explorações mais profundas acerca das motivações e dos princípios que se seguem no caminho para atingir objetivos. Os fins justificam os meios? Quem não pensar nas possíveis implicações morais deste plano de vingança e quem não fizer a si mesmo algumas perguntas sobre valores, poderá perder a maior parte da profundidade da série. Mas continuaria a ser uma experiência excelente.   Finalmente, o terceiro ponto é o facto de a série não recear quebrar a quarta parede (definida como a parede imaginária entre o palco e os espectadores). A decisão de fazer uma personagem interagir com o público é sempre complicada: por um lado, pode desfazer todo o ambiente, causar estranheza e chamar a atenção para algo supérfluo à narrativa; por outro lado, quando executado de forma perfeita, puxa o espectador para o interior da ação mais do que em qualquer outro momento e incentiva quem observa a colocar-se na mente de quem agora se lhe dirige. É o que acontece em House of Cards. As interações são brilhantes mesmo quando discretas (sendo, por vezes, apenas trocas de olhares exasperados com o público) e funcionam de forma brilhante como alívio cómico.

Um ponto negativo a apontar a esta primeira temporada prende-se com a forma como algumas das ações são levadas mais longe do que seria esperado. O espectador está consciente das ambições destas personagens e é fácil perceber que escrúpulos são algo bastante secundário, mas fica a questão: até que ponto as decisões não serão influenciadas pela simples vontade de chocar a audiência, com algo que acaba por ser gratuito e que pode comprometer a identidade das personagens no futuro? Só as próximas temporadas poderão dizer se foi algo dispensável ou uma nova direção que irá surpreender tudo e todos.

 No fundo, House of Cards é uma série com uma premissa interessante, mas não necessariamente apelativa, dependendo profundamente da execução. Neste caso – felizmente – a execução foi perfeita, a escolha de casting acertou em cheio no ator para o papel principal e tudo se alinha para conseguir uma história interessante, profunda e com desempenhos imaculados.

ARTIGOS POPULARES

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com