third-person01

Na Terceira Pessoa (Third Person, 2013)

Três histórias, várias personagens à procura de redenção e uma nova oportunidade cujos percursos se enlaçam e desenlaçam de uma forma intimamente semelhante e harmoniosa – Third Person, o novo filme de Paul Haggis, não é tanto uma súplica por perdão, como é um pedido de aceitação e compreensão; convida a procurar uma perspetiva mais ampla das situações, a procurar o ‘porquê’ de uma ação antes de simplesmente a condenar.

Assim sendo, Third Person tem imenso potencial. Além de uma linha narrativa e intenção invulgarmente inteligentes, conta com um elenco que sabe fazer justiça à sua fama.

Mila Kunis é excecional como uma mãe arrependida levada ao desespero depois perder o filho. Kunis torna impossível não empatizar com esta mãe, independentemente dos erros que terá ou não cometido – é sem dúvida um dos pontos mais fortes do filme.

Adrien Brody, de quem nunca se espera menos do que o melhor, interpreta um homem, aparentemente comum, a braços com o sentimento de culpa, ansioso por um recomeço. A química explosiva com Moran Atias evidencia o que este ator tem de melhor: uma presença cativante, mas simples e humana.

Também Olivia Wilde, Maria Bello e James Franco – este último a relembrar-nos que não deixa de ser um ator sério e versátil, entre filmes como This Is the End e o por estrear The Interview – entram na lista de prós de Third Person.

Já Liam Neeson enquanto protagonista não faz estragos mas também não eleva a sua personagem, interpretando um escritor cujas emoções são praticamente impossíveis de detetar. Mesmo depois do final, depois dos créditos e do ecrã negro, com as luzes da sala já acesas, depois de algum tempo para digerir o filme e as suas lições, continuamos sem saber ao certo quem é este escritor, o que ele pretende, porque faz o que faz.

Como sempre, o protagonista é um reflexo da própria história, neste caso de um argumento que não está completamente definido. Apesar da genialidade, há algumas falhas lógicas e pertinentes no trabalho de Haggis e a oportunidade de fazer algo memorável perde-se pelo caminho. Third Person torna-se confuso e a intenção original dispersa-se quando o espectador dá por si a tentar descortinar as impossíveis relações entre cada episódio e personagem em vez de ser simplesmente atraído para os seus dilemas e personalidades.

Paul Haggis parece demasiado preocupado em tentar reproduzir e superar o sucesso de Crash, pelo qual ganhou três Óscares, e por isso Third Person fica aquém do seu potencial. Não deixa de ser um bom filme mas falta-lhe concentração, alguma consistência e uma identidade própria bem definida.

ARTIGOS POPULARES

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com