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Um Castelo em Itália (Un château en Italie, 2013)

Um Castelo em Itália é exatamente como a vida: uma grande confusão. Há uma família burguesa em decadência, um castelo que já não pode ser suportado e uma árvore doente. Simultaneamente, há uma quarentona desesperada por agarrar qualquer hipótese de vir a ser mãe, uma matriarca que não consegue encarar o facto de que a sua família já não possui a grandiosidade que tinha e um irmão doente em estado terminal. Juntem-lhe ainda um mosteiro, uma cadeira milagrosa, um pai realizador e um filho ator, e um ex-namorado vingativo e alcoólico.

Valeria Bruni-Tedeschi realiza e protagoniza o filme sobre os estados mais comuns da vida: o caos e a mudança. Talvez seja por isto que Um Castelo em Itália é tão confuso.

A multiplicidade de eventos torna a narrativa pouco coesa e um tanto aleatória. O filme tem belíssimos momentos e um humor jovial sem descurar sentimentos mais sérios, mas sente-se que falta algum conteúdo. Conteúdo esse que parece ser desesperadamente substituído por cenas aleatórias e dispensáveis – hilariantes, sim, mas na maioria das vezes inexplicáveis e inúteis para o seguimento da história.

Filippo Timi (Ludovic, o irmão doente) é talvez a coisa mais humana deste filme. Mesmo interpretando um doente terminal, parece que há luz sempre que surge no ecrã com o sorriso aberto e sincero de quem se sente perfeitamente na sua própria pele – não é esperança que ele transmite, nem conformismo, mas uma contagiante alegria de viver.

Também Louis Garrel, interpretando um jovem ator que se identifica e procura aproximar-se de Louise (a personagem de Tedeschi), consegue trazer alguma genuinidade ao filme. A relação atribulada entre os dois – discutem-se assuntos como a diferença de idades, ciúmes e inseguranças, prioridades que se confundem com egoísmo – transborda de paixão sem que sejam postos de parte o realismo e a empatia.

Falta-lhe um certo equilíbrio mas, tal como a vida, Um Castelo em Itália tem frustração e desespero, raiva e dor, lágrimas, a desconfortável sensação de impotência e inquietude, gargalhadas e euforia. Nem tudo está arranjado de maneira perfeita e harmoniosa mas isso não significa que não possa ser apreciado.

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