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Violette (2013)

Não é preciso conhecer Violette Leduc, nem tão pouco ser um admirador de literatura francesa – ou qualquer outra – para considerar este filme. Talvez ajude ser mulher para compreender na totalidade a emotividade explosiva da personagem, mas nem isso é realmente um impedimento.

Para ver e sentir Violette basta ser humano; possuir a compaixão e humanidade que tão bem nos caracterizam e deixar-se cativar pela história e personalidade desta mulher.

Violette Leduc é uma bastarda, filha de uma empregada e negada pelo pai. Vive uma vida errante sem um propósito realmente seu, correndo atrás do amor de forma obsessiva, até que alguém lhe diz “Escreve! Põe toda essa obsessão, toda essa loucura e emoção no papel”. Ela assim o fez e da sua caneta saíram títulos como Asfixia e A Bastarda, obras que abordam e combinam temas controversos, como o aborto ou relações lésbicas, com o peso da rejeição, da solidão e do silêncio.

Violette é a história do nascimento de Leduc como escritora – que curiosamente se assemelha bastante ao nascimento de Leduc pessoa/bastarda – marcado pela controvérsia e acima de tudo pela marginalização.

À semelhança do que fizera com a pintora Séraphine de Senlis, em Séraphine, Martin Provost volta a resgatar das profundezas do esquecimento uma mulher para quem nem os seus contemporâneos, nem a história foram particularmente generosos. Leduc, escrevendo “como um homem”, sem acanhamento e com franqueza, mas nunca negando a mulher emotiva, carente e profundamente sozinha que era, tornou-se uma voz para muitos; Provost, capturando magnificamente a essência não da escritora, mas da pessoa na sua busca incansável por aceitação e amor, num duelo sem fim contra a esmagadora solidão, tornou-se a voz de Leduc.

Esqueçam os prémios e as nomeações de Provost, ponham de parte as ideologias feministas e influências intelectuais de Jean Genet, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, supra-mentora de Leduc. Violette é uma obra livre de arrogância que almeja apenas um fim, e conquista-o sem falhas: ser o redentor de uma mulher omitida e marginalizada.

Não é preciso conhecer Violette Leduc para ver e sentir Violette, mas é praticamente impossível abandonar a exibição sem vontade de sair a correr para a livraria ou biblioteca mais próxima e procurar um exemplar de A Bastarda ou outra obra da sua autoria.

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