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X-Men – O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006)

É raro, ou pelo menos discutível, o número de sequelas que ultrapassem a qualidade dos primogénitos. Exceções feitas – e muito relativas – a filmes como Padrinho – Parte II, ou Fim-de-semana com o morto II (ok, este era a brincar). No que toca a filmes de super-heróis, talvez o exemplo mais óbvio seja o segundo capítulo da saga Batman, de Christopher Nolan.

Mais raro ainda, se não inexistente, será a capacidade dos terceiros capítulos suplantarem os primeiros. O exemplo mais crasso será o do Homem-Aranha 3, mas podemos falar da primeira saga do super-homem, ou até, fazer uma incursão a toda a filmografia Transformers (onde difícil será arranjar a sequela que não deixe sequela (cerebral).

Chegamos então ao terceiro episódio de X-Men, após dois filmes conceptualmente bem trabalhados e bem-sucedidos. Primeiro erro, Bryan Singer abandona o barco e é substituído por Brett Ratner – um realizador que tinha sido bem-sucedido com a prequela de Silêncio dos Inocentes, Dragão Vermelho. Ora, imediatamente se nota uma regressão na visão super-herói dos personagens, retomando a ideologia de que estes personagens são apenas fonte passiva de superpoderes, com caraterísticas humanas que podem ficar para o segundo plano da obra. Resultado: O que se ganha em explosões e contra-explosões – sim, os efeitos especiais são muito bons – perde-se em dimensão mais pessoal, mais realista.

Desta forma, os super-heróis voltam a ser vistos como seres distantes e completamente irreais, mas com muita força.

Neste filme a história é bastante simples. O governo – sim, são sempre os mesmos mauzões – arranja uma “cura” capaz de neutralizar o gene X que dota os mutantes de superpoderes. Obviamente, esta ideia do governo trará sempre “pano para mangas”, se não o filme acabaria em 5 minutos. É nesta altura que surge Magneto (Ian McKellen), que decide juntar um exército de mutantes com moralidade dúbia, para neutralizar os objetivos dos humanos.

Então, inexplicavelmente, Jean Grey (Famke Janssen), supostamente morta, ressurge das cinzas com uma nova personalidade e com uma explicação muito pouco detalhada sobre a forma como sobreviveu. Para quem achava que o seu eterno “amor” Cyclops já tinha um papel pequeno nos anteriores filmes da franquia, neste é praticamente resumido a dois gritos e um par de óculos partidos.

Paralelamente, Rogue (Anna Paquin) que surgia como uma potencial personagem a desenvolver, perde todo o gás e é posta em segundo, ou melhor, quarto plano. Para colmatar este vazio territorial mandam vir uma jovem Ellen Page que surge tão justificadamente quanto uma mosca num prato de sopa.

Posto todos os defeitos do enredo (e são bastantes) de lado, sobra aquilo que o filme tem de bom: As batalhas. Épicas, barulhentas e visualmente espampanantes, é quando efetivamente o Confronto Final se dá, que os nossos olhos se arregalam e, por momentos, esquecemos que acoplados a uma boa imagem, deve vir um bom conteúdo. Infelizmente, aqui, isto não acontece e o filme vale muito pelos momentos de ação e pouco pelos momentos de reflexão. Perdeu-se uma oportunidade para acrescentar.

P.S. O Wolverine (Hugh Jackman) apesar de ser claramente o mutante mais fraco, é o que tem mais tempo de antena e acaba por ser sempre o herói. O seu nível de popularidade é tanto que origina o seu próprio Spin-off. E tudo começou com X-Men Origens: Wolverine, mas já lá iremos…

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